05 outubro, 2020

BORRASCA I



I.


Esta é uma longa história, mas é uma que você nunca ouviu antes. Esta história é sobre um lugar que existe na montanha; um lugar onde coisas ruins acontecem. E você pode pensar que sabe sobre coisas ruins, você pode achar que tem tudo sob controle, mas não tem. Porque a verdade é pior do que monstros ou homens.


No começo fiquei chateado quando me disseram que estávamos de mudança para uma pequena cidade em Ozarks. Lembro-me de olhar para meu prato de jantar enquanto ouvia minha irmã lançando uma birra temperamental de uma estudante de 14 anos. Ela chorou, implorou e então amaldiçoou meus pais. Ela jogou uma tigela no pai e disse que tudo era culpa dele. Mamãe disse a Whitney para se acalmar, mas ela saiu correndo, batendo em todas as portas de casa até o caminho do seu quarto.


Eu secretamente culpei meu também. Eu também ouvia conversas, meu pai fizera algo de errado, algo muito ruim, por isso o departamento do xerife transferiu meu pai para um condado pouco fora do caminho para salvar seu emprego. Meus pais não queriam que eu soubesse disso, mas eu sabia.


Eu tinha nove anos, então não demorei muito para me acostumar com a ideia de uma mudança; Foi como uma aventura. Casa Nova! Escola Nova! Novos amigos! Whitney claro, sentia o oposto. Mudar para uma nova escola na idade dela é difícil, mas afastar-se de seu namorado seria mais difícil ainda. Enquanto o resto de nós arrumávamos nossas coisas e nos despedíamos, Whitney ficou de mau humor, chorou, ameaçou fugir de casa. Mas um mês depois, quando chegamos à nossa nova casa em Drisking, em Missouri, ela estava sentada ao meu lado, falando maliciosamente em seu telefone.


Felizmente, nós nos mudamos durante o verão e eu tive o tempo livre para explorar a cidade. Quando papai começou seu novo emprego no escritório do xerife, mamãe nos levou pela cidade comentando isso e aquilo. A cidade era muito, muito menor que Saint Louis, mas também muito mais agradável. Não havia áreas “ruins” e toda a cidade parecia algo que você veria em um cartão postal. Drisking foi construído em um vale de montanha cercado por florestas saudáveis com trilhas para caminhadas e lagos cristalinos. Eu tinha nove anos, era verão e isso era o paraíso.


Nós estávamos morando em Drisking há uma semana mais ou menos, quando nossos vizinhos da porta ao lado vieram se apresentar: Sr. E Sra. Landy e seu filho de 10 anos, Kyle. Enquanto nossos pais conversavam e bebiam, observei o filho magro e ruivo dos Landy pendurado na porta, olhando timidamente para meu Playstation 2 na sala de estar.


- Uh, Você joga? – Eu perguntei.


Ele encolheu os ombros - Na verdade não.


- Você quer? Acabei de ganhar o Tekken 4.


- Hum... – Kyle olhou para sua mãe, que acabará de encher seu terceiro copo de whisky. – okay, pode ser.


Naquela tarde, com a facilidade e simplicidade da nossa idade, Kyle e eu nos tornamos melhores amigos. Passamos as manhãs frescas de verão do lado de fora explorando Ozarks e as tarde quentes na minha sala de estar jogando Playstation 2. Ele me apresentou a única outra criança da vizinhança da nossa idade: Uma garota magra e quieta chamada Kimber Destaro. Ela era tímida, mas simpática e sempre pronta para tudo. Kimber nos acompanhou tão bem que ela rapidamente se tornou a terceira roda em nosso triciclo.


Com meu pai no trabalho o tempo todo, minha mãe consumiu novas amizades e minha irmã ficava trancada em seu quarto o dia todo, o verão era nosso para aproveitar e fazer levar o que fizermos. Kyle e Kimber me mostraram onde estava as melhores trilhas para caminhada, quais lagos era os melhores e mais acessíveis de bicicletas e onde ficavam as melhores lojas da cidade. Quando o primeiro dia de aula chegou, eu já me sentia em casa.


No ultimo sábado antes do inicio das aulas, Kyle e Kimber me disseram que iam me levar a algum lugar especial, em algum lugar que ainda não tínhamos ido – A Árvore Tripla.


- O que é uma ‘Arvore tripla’? – Perguntei.


- É uma casa na arvore totalmente incrível, totalmente enorme na floresta – Kyle disse animadamente.


- Perfeito! Então vamos lá pessoal, se tem uma casa na arvore vocês já deveriam ter me mostrado antes!


- Uhm... Nós não podemos – Kyle balançou a cabeça – Existe uma cerimonia para os novatos e tudo mais.

Kimber concordou ansiosamente, seus cachos laranja escuros saltavam de seus ombros minúsculos – Sim, é verdade, Sam. Se você entrar na casa da arvore sem a devida cerimonia, você desaparecerá e então morrerá.

Meu rosto caiu. Agora eu sabia que eles estava tirando sarro de mim. – Isso é mentira! Vocês estão tentando me assustar.


- Não, nós não estamos! – Kimber insistiu.


- É verdade, e vamos te mostrar! Nós só temos que primeiro pegar uma faca para a cerimonia e já vamos.


- O que? Porque você precisa de uma faca? É uma cerimonia de sangue? – Eu sussurrei.


- De jeito nenhum! – Kimber prometeu – Você tem repetir algumas palavras e esculpir seu nome na Árvore tripla.


- Isso mesmo, demora só um minuto – Kyle corcordou.


- E é uma casa na árvore muito legal? – Eu perguntei.


- Oh, com certeza! – Prometeu Kyle.


- Certo, eu acho que vou fazer isso então.


Kyle insistiu em usar a mesma faca que ele usou durante sua própria cerimonia,  mas pagamos um preço para conseguir isso. A sra. Landy por acaso estava em casa com seu filho mais novo, Parker, e apesar das muitas objeções de Kyle, sua mãe insistiu que ele levasse seu irmão de seis anos com ele.


-Mãe, nós estamos indo para a casa da árvore, é só para crianças mais velhas. Parker não pode ir!


- Eu não me importo nem que você vai ver uma maratona de filmes do exorcista, você vai levar seu irmão com você. Eu preciso de descanso, Kyle, você não consegue entender isso? E tenho certeza que seus amigos não se importam. - Ela mostrou a Kimber e a mim um olhar desafiador. – Não é crianças?


- Não, de forma alguma – Kimber disse e eu acenei de acordo.


Kyle soltou um suspiro alto e dramático e chamou por seu irmão – Parker, coloque seus sapatos, nós vamos passear um pouco!


Eu já tinha visto o Parker várias vezes antes e descobri que ele era bem diferente de seu irmão mais velho, tanto em aparência como em disposição.  Onde Kyle era uma bola de fogo selvagem e empolgante, de cabelo combinando, achei Parker era um menino ansioso e inquieto, com olhos pequenos e cabelos castanhos escuros.


Nós seguimos com nossas bicicletas e fizemos nosso caminho por uma trilha de caminhada menos conhecido por alguns quilômetros de distancia. Eu perguntei antes para onde as trilhas levavam quando passamos várias vezes antes e Kyle tinha me respondido abaixo do esperado dizendo que não era nada de interessante.


Nós tivemos que parar para continuar a pé e encostamos nossas bicicletas contra um poste de madeira que dizia “Trilha da Orla Leste de Minério de Prescott”.


- Porque a maioria das trilhas daqui é chamada de Prescott? – Eu perguntei – É montanha Prescott ou algo assim?


Kimber riu – Não, é por causa do Prescott. Você sabe, a família que mora na mansão Fairmont. Prescott e seu filho Jimmy são donos da metade dos negócios da cidade.


- Mais da metade – Acrescentou Kyle.


- Quais negócios? Ele é dono do fliperama game stop? – A única loja Drisking que eu realmente me importava.


- Eu não sei – Kyle colocou uma corrente em uma das quatro bicicletas e ajustou o cadeado com uma combinação numérica – Mas como a loja de ferragens, a farmácia, o mercado central e o jornal da cidade.


- Foram eles que fundaram a cidade? – Eu perguntei.


- Nah, Foi a mineração que começou a cidade, eu acho que eles...


- Eu quero para casa. – Parker estava tão quieto que eu tinha esquecido completamente que ele estava lá.


- Você não pode ir pra casa! – Kyle revirou os olhos – Mamãe disse que u tinha que trazer você. Agora vamos lá, é apenas uma caminhada de dois quilometros.


- Eu quero levar minha bicicleta. – Respondeu Parker.


- Péssima ideia, o caminho agora não tem trilha para pedalar.


- Então eu não vou, ficarei aqui vigiando as bikes.


- Não seja tão chato.


- Eu não sou!


- Kyle, seja legal! – Kimber assobiou – Ele tem apenas cinco anos.


- Eu tenho seis anos! – Parker objetou.


- Me desculpe, seis. Você tem seis. Kimber sorriu para ele.


- Tudo bem, ele pode segurar sua mão se ele quiser. Mas ele tem que vir. - Kyle se virou e começou a trilha.


O rosto de Parker caiu em uma expressão indignada, mas quando a charmosa Kimber estendeu a mão e balançou os dedos para ele, ele a pegou.


Kyle estava certo, não era uma longa caminhada, apenas 800 metros descendo a trilho e depois outra caminhada de meia milha em um trilha bem larga na montanha. Foi uma subida íngreme e quando chegamos a casa da arvore eu estava sem folego.


- O que você acha? – Kyle perguntou animadamente.


- É... – Eu estudei a árvore enquanto recuperava o folego. – É muito legal. – Sorri e realmente era. Eles não mentiram, a casa da árvore era a maior que eu já vi. Tinha vários quartos e havia cortinas reais nas janelas. Uma placa acima da porta dizia “Fortaleza Ambercot” e uma escada de corda pendia abaixo do limiar, faltando várias tábuas.


- Eu vou primeiro! – Gritou Parker, mas Kimber segurou seu braço.


- Primeiro você tem que fazer a cerimonia ou você vai desaparecer – Ela lembrou ele.


- Isso não seria ruim pra mim – Seu irmão Kyle resmungou.


Eu estava ansioso para entrar naquela fortaleza.


- Me dê a faca – Eu estendi minha mão. Kyle sorriu e tirou o canivete do bolso.


- Tem algum espaço na parte de trás para você esculpir seu nome.


Eu abri a faca e caminhei ao redor da árvore procurando por algum lugar vazio. Tinha tantos nomes na árvore que tive que espremer e olhar bem de perto, já que não conseguia escrever no alto. Vi as esculturas de Kyle e Kimber na árvore e finalmente encontrei um lugar que gostei perto do último. Mordi minha língua e esculpi Sam W. em um pedaço de casca em branco debaixo de alguém chamado Paul S. Parker foi em seguida, mas teve tantos problemas com a faca que Kyle teve que fazer por ele.


- Tudo bem, vamos lá! Eu corri para a escada de corda.


- Espere! – Kyle gritou – Você tem que dizer as palavras primeiro.


- Oh sim, Certo, e quais são?


Kimber então recitou:


- Debaixo da árvore tripla existe um homem que espera por mim e eu devo ir ou então ficar do mesmo jeito que será o destino de todos.


- Uau, isso é assustador – Eu disse – O que significa?


Kimber encolheu os ombros. – Ninguém sabe, é apenas uma tradição.


- Certo, você poder repetir mais uma vez, mais devagar para eu memorizar?


Depois que Parker e eu recitamos o poema, estávamos prontos para ir. Eu subi a escada de corda em primeiro e avaliei o ambiente. A casa da árvore estava mais ou menos vazia, apenas um tapete sujo aqui e ali e um pouco de lixo: velhas latas de refrigerantes, latas de cerveja e embalagens de Fast Food.


Eu fui de quarto em quarto, havia quatro no total, e não encontrei nada de real interesse, até ver o ultimo. Um colchão velho estava no canto e pilhas de roupas bolorentas e rasgadas espalhavam-se pelo chão.


Algum mendigo mora aqui? – Eu perguntei.


- Não, este quarto é assim desde que me lembro – Disse Kyle da porta atrás de  mim.


- Cheira nojento – Eu disse.


Kimber chegou ao limiar, mas se recusou a ir mais longe. – Não é o cheiro que me assusta, é isto. – Ela apontou para o teto e eu levantei meus olhos para ler o que estava escrito lá:


“Caminho para o portão do inferno – Marcador da primeira milha”


- O que isso significa? – Eu perguntei.


- Devem ter sido os garotos mais velhos sendo idiotas – disse Kyle – Vamos lá, eu vou te mostrar a melhor parte da cada da árvore.


Nós voltamos para o primeiro quarto e Parker olhou para nós e sorriu, apontando para o que ele esculpiu no desajeitadamente no chão de madeira.


- Peido – Kyle leu – Isso hilário Parker – Ele revirou os olhos, mas seu irmãozinho não pegou o sarcasmo e sorriu com orgulho.


Kimber sentou no chão ao lado de Parker e eu me sentei do outro lado. Kyle pegou a faca de seu irmão e então atravessou a sala e enfiou a lamina entre duas tábuas da parede arborizada. Kyle tirou algo e empurrou a prancha de volta até que ela estivesse nivelada com as outras.


- Dê uma olhada – Ele se virou e orgulhosamente levantou duas latas de cervejas Budweiser.


- Whoa! – Eu disse.


- Eca, cerveja quente? Isso é nojento. Como você sabia que estava lá? – Kimber perguntou.


- Phil Saunders me disse.


- Vamos beber? – Perguntei.


- Claro que sim, vamos beber!


Kyle veio e sentou-se em nosso circulo, abriu a primeira cerveja e ofereceu a Kimber. Ela olhou como se ele estivesse tentando lhe entregar uma frauda suja.


- Vamos Kimberzinha.


- Não me chame assim! –Ela gritou para ele e relutantemente tomou a cerveja aberta. Ela cheirou e fez uma careta, depois beliscou o nariz e tomou um pequeno gole. Kimber estremeceu – Urgh, isso é pior do que eu imaginava.


- Eu não vou beber! Vou contar pra mamãe! _ Parker disse rapidamente quando a cerveja passou na frente dele para mim.


- Você não vai beber mesmo! – Prometeu Kyle – E você não vai contar merda nenhuma para mamãe!


Forcei minha melhor expressão de pôquer face enquanto tomava um gole de cerveja quente antes que eu tivesse a chance de sentir o cheiro. Foi uma péssima decisão quando eu miseravelmente derramei o liquido amarelo por toda minha camisa.


- Aww merda, agora eu vou cheirar a cerveja.


Nós passamos a próxima hora e meia bebendo as duas latas de Budweiser e depois de algum tempo o gosto ficou tolerável. Eu não sabia se estava me tornando homem ou se estava embriagado. Eu esperava que fosse a primeira opção. Quando a última gota de cerveja foi consumida, passamos 20 minutos tentando determinar se estávamos bêbados. Kyle nos assegurou que ele estava perdido enquanto Kimber não tinha certeza. Eu não achei que estava, mas falhei em todos os nossos testes de bêbados.


Kimber estava no meio da recitação do alfabeto de trás para frente, quando um ranger alto e metálico perfurou subitamente o ar calmo da montanha como um tiro. Kimber parou de falar e passamos alguns minutos olhando um para o outro, esperando o barulho acabar. Parker se enrolou em Kimber e colocou as mãos sobre as orelhas. Depois do que pareceram dez minutos inteiros, o som terminou tão repentinamente quanto começará.


- O que foi isso? – Perguntei, Parker murmurou algo destro do suéter de Kimber.


- Vocês sabem o que foi isso? – Eu tentei novamente.


Kimber olhou para os pés enquanto cruzava e descruzava,


- Bem...


- Não é nada! – Kyle finalmente respondeu – Nó ouvimos isso às vezes na cidade; não é grande coisa. Só é mais alto aqui em cima.


- Mas o que está fazendo esse som?


- Borrasca – Kimber sussurrou sem tirar os olhos de seus pés.


- Borrasca? Quem é esse? – eu perguntei.


- Não é quem e sim onde,- Respondeu Kyle – Borrasca é um lugar.


- Outra cidade?


- Não, é apenas um lugar na floresta.


- Oh.


- Coisas estranhas acontecem lá, coisas ruins – Kimber disse mais para si mesma do que mim.


- Coisas estranhas? Como oque?


- Coisas ruins. – Repetiu Kimber.


- É verdade, nunca tente encontrar cara – disse Kyle atrás de mim – Ou coisas ruins vão acontecer com você também.


- Mas como? Que coisas ruins? – Eu me virei. Kyle deu os ombros e Kimber se levantou e caminhou até a escada de corda.


- É melhor a gente ir. Eu tenho que voltar em casa para minha mãe. – Disse ela.


Descemos a escada uma a uma e começamos a caminhada de volta para as bicicletas em um silencio desconhecido. Eu estava morrendo de curiosidade sobre Borrasca, mas não conseguia decidir se devia perguntar sobre isso.


- Então, quem mora lá?


- Lá onde? – perguntou Kyle.


- Borrasca.


- Os homens esfolados – Respondeu Parker.


- Pffft – Kyle riu – Apenas crianças acreditam nisso.


- Como são esses homens esfolados? Como se a camada de pele deles tivessem sido removidas? – Eu perguntei.


- Sim, os músculos vermelhos estão sem pele. A maioria das crianças deixa de acreditar nisso quando temos dois dígitos em nossa idade. – Disse Kyle.


Eu olhei de volta par Kimber que ainda tinha nove anos como eu, mas ela estava olhando para a trilha, nos ignorando. Aquele parecia ser o fim da conversa e quando chegamos a nossas bikes, o constrangimento desapareceu e estávamos rindo, tentando decidir se estávamos bêbados demais para voltar de bicicleta para casa.


A escola começou dois dias depois e eu me esqueci completamente de Borrasca. Quando meu pai parou no meio-fio para me deixar naquela manhã, ele trancou as portas antes que eu pudesse sair,


- Não tão rápido – Ele riu – Como seu pai, eu tenho o privilegio de lhe dar um abraço e desejar a você um bom primeiro dia de aula.


- Mas pai, eu tenho que encontrar Kyle antes do primeiro sinal!


- E você vai, mas me dê uma braço primeiro, daqui alguns anos, você estará dirigindo para escola, deixe-me ser seu pai enquanto ainda posso.


- Tudo bem – Eu disse, me inclinei para dar um abraço rápido no meu pai.


- Obrigado filho. Agora vai encontrar seu amigo. Sua mãe estará esperando aqui na saída ás 3:40.


- Eu sei pai. Por que não posso ir de ônibus como a Whitney?


- Quando você completar 12 anos você vai poder pegar o ônibus – Ele sorriu e abriu as portas. – Até lá, eu vou trazê-lo para escola todos os dias. Se você achar que pode ser mais legal, até posso te trazer na parte de trás da viatura, como se fosse um delinquente.


- Papai...não. – Eu abri a porta do carro antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa e corri enquanto ele ria atrás de mim.


Kyle já estava me esperando no mastro da bandeira e também encontrou Kimber.


- Cara, você quase perdeu o sinal – Ele gritou quando me viu.


- Eu sei, foi mal.


- Em que sala você caiu? – Kimber perguntou. Ela estava vestindo um suéter vermelho e calça leg com estampas de sapos. Seu cabelo laranja encaracolado estava escovado em cacho e seus lábios rosados e brilhantes. Ela nunca me pareceu mais bonita e fiquei surpreso ao perceber que eu nunca antes tinha visto Kimber como uma menina.


- Ah. Classe do professor  Diomont.


- Eu também! – Ela disse alegremente.


- Que sorte – Kyle zombou – Eu estou na classe da Sra. Verdyl. Só tem duas classes da quarta série e justo eu cai separado de vocês.


Kimber fez uma careta – Minha mãe estudou na sala dela quando era criança.


- O que há de errado com ela? O que ela disse?


- Só que é rigorosa e dá muita lição de casa nos finais de semana.


- Nos finais de semana? Que porra!


-ah, desculpe-me senhor Landy – Eu imediatamente reconheci o homem alto que apareceu de repente atrás de Kyle de cara branca.


- Sinto muito senhor. Eu quis dizer “Droga”.


Kimber riu.


- Eu tenho certeza que você quis – ele assentiu.


- Olá Xerife Clery – Mesmo que eu só o encontrasse algumas vezes, eu gostava do chefe do meu pai e ele gostava de mim.


- Bem, Olá Sammy, você esta animado para seu primeiro dia? – Xerife Clery cruzou os braços na frente dele e ampliou sua postura imponentemente, mas deu um largo sorriso.


- Sim senhor, - Eu disse. E então acrescentei lamentavelmente: - O que você está fazendo aqui?


- Eu vou dar uma palestra para o quinto e sexto ano sobre segurança no caminho até a escola.


- Sim, ele vem aqui todos os anos – Kyle murmurou.


- Legal – Eu sorri.


O xerife Clery acenou para mim e então se virou e foi embora. Olhei ao redor, confuso.


- Onde está Kimber?


- Ela já entrou pra sala. Ela é irritantemente pontual para tudo.  – Assim que ele disse isso o sinal tocou. Nós dois subimos correndo as escadas e entramos.


Eu entrei na sala de aula e vi que Kimber tinha reservado um lugar ao lado dela na parte de trás da sala. O Sr. Diamond, um homem baixo e gordinho, com cerca de 40 anos acenou para mim quando entrei.


- Sr. Walker, presumo.


- Hum, sim, sou eu. – Eu murmurei enquanto corria até a mesa ao lado de Kimber.


- Bem vindo a Escola Elementar de Drisking. E para o resto de vocês, bem vindos de volta.


Kimber me apresentou a outras crianças da turma durante toda a manhã. A maioria deles eram bons, se não impressionasse. Eles disseram seus nomes e perguntaram de onde eu era e as conversas geralmente terminavam com um “ok” não impressionado.


Um grupo de meninas que se sentou na parte da frente, olhou para nós durante toda a manhã e deu uma risadinha. Perguntei a Kimber quem elas eram e ela apenas deu os ombros. Durante nosso segundo intervalo, elas vieram conversar comigo.


- Você é amigo da Kimber Destaro? – Uma garota alta de cabelos escuros me perguntou.


- Sim – eu respondi e olhei para Kimber. Ela estava me observando com os olhos preocupados.


- Você é parente dela?


- Não.


- Eu não penso assim só porque você não tem o cabelo laranja. – Eu não sabia o que responder sobre isso.


- Você não precisa ser amigo dela, sabe. – Disse a segunda garota com o rosto estranhamente redondo.


- Eu quero ser amiga dela.


Uma terceira garota atrás das outras duas bufou. Ela tinha cabelos ruivos e um nariz rude arrebitado.


- Bem, se você ficar no grupo infantil dos feios... – A primeira garota avisou – Uma vez que você faz parte desse grupinho ai, você não vai pode abandona-los, nunca.


- Melhor do que um grupo de cadelas igual o seu. – Eu disse. A nariz arrebitado e a do rosto redondo ofegaram, mas a de cabelo negro sorriu.


- Vamos ver – Disse ela, e as três voltaram para o canto da sala. Sente-me ao lado de Kimber, sentindo-me um foda. Foda a primeira vez que usei um xingamento na frente de alguém que não fosse Kyle.


- O que elas disseram para você? – Kimber perguntou nervosamente.


- Elas disseram que você é bonita demais para fazer parte do grupo delas e que faz elas parecerem grosseiras, então temos que ficar longe delas.


- Mentiroso. – Kimber respondeu, mas eu podia dizer que ela estava sorrindo.


Nós encontramos com Kyle no refeitório no almoço e ele não tinha nada além de coisas ruins a dizer sobre sua manhã. A sra. Verdyl era velha e malvada e fazia com que todos fossem a frente e dissessem algo sobre si mesmos, embora a turma só tenha 14 alunos e todos já se conhecessem. Quando o sinal tocou para o recreio eu fui jogar o lixo restante do almoço junto com Kyle e encontrei uma criança que eu não tinha visto antes.


- Hey, você é o Sam Walker? – Perguntou o garoto.


-Sim.


- Oh! Sua irmã está namorando com meu irmão.


- Oh cara – Kyle riu – Sua irmã está namorando um membro da família Whitiger!


- Cale a boca Kyle – o garoto resmungou.


- Ela vai ser Whitney Whitiger!


Tão engraçado como que não poderia deixar de ficar um pouco surpreso. Não que eu estivesse prestando atenção, mas eu só tinha visto Whitney fora do quarto dela uma vez durante todo o verão.


- Hum, onde ela o conheceu? – Perguntei ao garoto Whitiger.


- Não sei, provavelmente no trabalho dele.


- E onde que seu irmão trabalha?


- Ele trabalha no lava-rápido Drisking.


Não fazia sentido para mim, mas eu dei os ombros. Lembrei-me da minha mãe dando a Whitney algumas tarefas domésticas, como lavar o carro e comprar algumas utilidades para tira-la de casa. Talvez ela o conheceu dessa forma e eles começaram a namorar por mensagens de texto. Adolescentes eram estranhos.


O resto da semana da escola seguiu muito como o primeiro dia. Estávamos bem no primeiro mês quando ouvi alguém mencionar os Homens esfolados novamente. Nós estávamos no playground e Kyle e eu estávamos tentando começar uma fogueira com duas grandes lascas de madeira. Eu acabei de esfregar uma lasca quando o som distante de metal rangendo inundou o playground, silenciando cada um de nós.


- Borrasca – Eu disse em reverencia.


- Sim – Disse Phil Saunders – Os homens esfolados estão matando novamente.


- Hey, Kyle disse que apenas as crianças acreditavam nos Homens esfolados! – Eu lancei um olhar acusatório para Kyle.


- Isso mesmo! Phil é uma criançona idiota.


- Não sou! Pergunte a Danielle, ela sabe! – Phil vasculhou o playground e depois gritou para uma garota loira conversando com a Nariz arrebitado – Hey, Danielle, vem aqui!


A loira revirou os olhos, mas veio correndo de qualquer maneira.


- O que você quer? Eu te disse que Kyle não gosta de você, Phil.


- Não é isso, diga a eles sobre os Homens esfolados. – Phil gesticulou para o ar ao nosso redor que estava cheio de raspagem metálica descendo da montanha.


- Você contou a eles?


- Você os viu, então conte a eles.


- Eu não os vi, foi a Paige.


- Oh – Phil disse e um silencio constrangedor atingiu a conversa.


- Vocês são estranhos – Disse Danielle antes de se virar e sair.


- Quem é Paige? – Eu perguntei quando ela foi embora.


- A irmã dela – Respondeu Phil.


- Paige desapareceu quando nós tínhamos cinco anos – Disse Kyle.


- Depois que ela viu os homens esfolados – Acrescentou Phil.


Os sons da montanha terminaram abruptamente e a atmosfera suave do parquinho desapareceu com ela. Quando o sinal tocou, Kyle se enfileirou na fila da sua classe, e como Phil era da minha sala, eu me certifiquei de ficar atrás dele. Os professores começaram a contagem.


- Hey, o que mais você sabe sobre Borrasca? – Eu sussurrei para ele.


- Meu irmão disse que é para onde todas as pessoas vão quando desaparecem. Para Borrasca.


- O que acontece com eles lá?


- Coisas ruins – Ele disse e depois me calou quando perguntei o que isso significava.


O ano continuo e não foi até o Natal que ouvi a maquina em Borrasca novamente. Era dezembro e havia uma grossa camada de neve no chão que só servia para amplificar o barulho da montanha. Eu sentei no meu quarto, ouvindo por alguns minutos tentando imaginar o que acontecia no lugar que coisas ruins acontecem. Eu ouvi o carro do meu chegando pela janela e desci as escadas para cumprimentá-lo. Quando passei pela porta da minha irmã, ouvi ela rindo de maneira irritante e adolescente e me encolhi.

Eu esperava que Kimber nunca fosse assim.


- Papai! – Eu escorreguei pelo corrimão assim que ele abriu a porta. Meu pai tirou a neve das botas e abriu os braços.


- Sammy! Há quantos anos? – ele brincou.


Mas era verdade que não via muito meu pai ultimamente desde que ele estava trabalhando tanto. Fazendo o que, eu não sabia, já que esta era a cidade mais quieta e chata de todos os tempo. Mamãe achava que o xerife estava preparando o pai para o trabalho dele já que Clery já era bem velho e papai nunca concordou ou discordou dela. Ele só estava no departamento há alguns meses, afinal e duvidava que as pessoas do condado votassem nele.


- Hey pai, você já ouviu isso? Como um barulho de máquina?


- Sim, eu ouço na cidade de vez em quando.


- O que você sabe sobre isso?


- Eu perguntei ao xerife uma vez e ele me disse que o barulho vem da propriedade privada em Ozarks.


- É uma propriedade chamada Borrasca? – Eu perguntei rapidamente,


- Eu não faço ideia. Borrasca? Onde você ouviu isso?


Dei os ombros – As crianças da minha escola.


- Bem, não é nada para se preocupar, Sammy, provavelmente apenas alguns equipamentos exploração de madeireira.


- Mas o lugar é chamado Borrasca? Você já ouviu esse nome antes?


- Nunca ouvi sobre isso antes – Papai tirou as botas e o casaco olhando para a cozinha. Eu poderia dizer que estava perdendo a atenção dele.


- Você já ouviu falar sobre os Homens Esfolados? – Eu perguntei rapidamente.


- Homens esfolados? Por Deus. Sam. É sua irmã que anda te contando essas histórias?


- Não – Mas ele não estava me ouvindo mais.


- Whitney – Ele gritou até as escadas.


- Não pai, Whitney nem fala comigo – Eu repeti.


Ouvi uma porta se abrir no andar de cima e Whitney espiou por cima do corrimão, com o telefone na mão e um olhar de irritada no rosto dela.


- Você está tentando assustar seu irmão? – Papai exigiu.


- Não foi ela pai – Eu disse novamente.


Whitney me lançou um olhar de traição – Ugh, Serio? Como se eu fosse perder meu tempo com isso.


- Você não está contando histórias sobre “Homens Esfolados”, Está?


- Não pai, eu te disse que ouvi na escola – Eu falei.


Whitney apontou para mim como se dissesse “Viu”?


- Tudo bem, vocês crianças precisam a começar se dar bem, pelo amor de Deus vocês são irmãos. – Whitney revirou os olhos enquanto meu pai entrava na cozinha e ela mostrou a língua para mim.


- Bem maduro em Whitney! – Eu gritei para ela, mas ela já tinha ido embora – Eu vou contar pro papai sobre seu namorado!


O natal veio e foi com uma suavidade surpreendente em nossa casa. Whitney e eu tínhamos tudo que tivemos em nossas listas, o que foi a primeira vez para nós. A cidade pode ser menor, mas os contracheques do papai eram claramente melhores.


Eu usei minha nova Jaqueta de atleta NFL no primeiro dia de aula depois do feriado do natal. Kyle bajulou e Kimber mostrou o colar de perolas azuis que sua mãe lhe deu de natal. Kyle e eu fingimos interesse, mas o fizemos mal. Kimber sabia, mas parecia feliz que nos importássemos o suficiente para fingir.


Quando nos despedimos de Kyle pela manhã, Kimber foi subitamente jogada de lado. Kyle a pegou antes que ela caísse e eu me virei com raiva para ver a garota de cabelos escuros, cujo nome eu aprendi ser Phoebe Dranger – rindo e se afastando de nós com a garota do rosto redondo.


- Vocês são garotas ruins que só fazem maldade – Kyle gritou para elas. – Quando eu for seu chefe algum dia, vou fazer questão e deixar os banheiros bem sujos pra vocês limparem.


- Sim, e quando Kyle for seu chefe, você saberá que fracassou muito na vida! – Eu adicionei, Kyle e eu nos cumprimentamos e voltamos para Kimber, mas ela não estava compartilhando nossa vitória – Ela estava tentando esconder as lágrimas em seu rosto.


- Não se preocupe com essas garotas Kimber, ninguém gosta delas. As pessoas são só são gentis com elas porque são parentes dos Prescotts. Kyle tentou dar-lhe um tapinha desajeitado nas costas, mas Kimber se afastou e correu na direção oposta.


- Odeio essas garotas. Como eu realmente as odeio. – Eu disse.


- Eu sei, elas são vadias! – Kyle respondeu, murmurando a última palavra enquanto olhava por cima do ombro para qualquer adulto a espreita.


- Bem, é melhor eu ir para aula e me certificar de que elas não tentem perturbar ela novamente.


- Tem uma reunião esta manhã. Nenhuma aula até depois do almoço.


-A serio? Fantástico! Temos que nos sentar na aula?


- Normalmente não, mas é melhor chegarmos lá rápido para que possamos nos sentar nos fundos. – Disse Kyle quando começamos a caminhar.


- Para que serve a reunião?


- Não sei ao certo, Apresentação da Sociedade histórica ou Programa de combate as drogas.


- Oh, espero que seja história então.


Encontramos Kimber já no auditório. Ela se recompusera e nos reservou dois assentos no fundo da sala. Ela nos acenou assim que a severa e gorda Sra. Verdyl subiu ao palco.


- Olá alunos do 4º Ano. Esta manhã temos uma apresentação especial para vocês sobre a Sociedade de Preservação Histórica da cidade de Drisking. Se você tiver dúvidas durante o curso da palestra, por favor, levante a mão.


- Como se isso fosse acontecer. – Kyle riu.


- Agora, gostaria de apresentar a vocês o Sr.Watt Dowdoing, a sra. Kathryn Scanlon e é claro, o sr. James Prescott.


- O que! Jimmy Prescott está aqui e não seu pai? Isso é estranho! – Kimber sussurrou.


- Cara, o pai dele, Thomas Prescott fez essa apresentação nos últimos 20 anos – Disse Kyle – É realmente estranho.


- Não é estranho – sussurrou Mike Sutton atrás de nós. Ele se inclinou para frente – Tom Prescott ficou louco há um ano. Ele não fez apresentação ano passado também, minha irmã estava aqui.


- Eu não gosto do Jimmy Prescott – Kimber sacudiu a cabeça – Ele me causa arrepios. O pai dele é muito mais legal, ele é como um avô.


A apresentação foi lenta e chata. Dowding e Scanlon falaram sobre as primeiras colonizações da cidade. Eles falaram sobre a descoberta de Alexander Drisking e um código-mãe de minério nas montanhas e se estabeleceram aqui com suas famílias para minerar e refinar ferro. Em seguida, James Prescott subiu ao palco para contar a história da jornada de sua família até a cidade e o papel dela na revitalização de Drisking ao a partir do final dos anos 50.


A última parte foi a mais interessante de todas e achei Jimmy Prescott infalivelmente carismático e divertido. Eu estava rindo de suas piadas e prestando atenção em cada uma de suas palavras, ao final da apresentação percebi que realmente aprendi um pouco. Tanto que eu estava interessado o suficiente para fazer uma pergunta, Kyler advertiu que eu estaria cometendo um suicídio social.


O Sr. Prescott examinou a sala e respondeu algumas outras perguntas antes de finalmente chegar até mim na parte de trás.


- Sim, você ai no fundo.


- Sr. Prescott, porque as minas de ferro fecharam? Tipo, o que aconteceu? – Eu perguntei.


- Muito boa pergunta jovem, Qual é mesmo seu nome?


- Ah, Sammy Walker.


- Ah, acho que conheci seu pai outro dia no escritório do xerife. Seja bem vindo a Drisking! Quanto a sua pergunta, a maioria das minas foram fechadas em 1951, após um longo período de rentabilidade; a montanha simplesmente ficou sem minério de ferro para extração. As usinas e refinarias foram abandonadas e a cidade sofreu por alguns anos. Os mineradores e suas famílias se mudaram , as lojas se fecharam e Drisking se tornou uma cidade fantasma.

Isso teria sido o fim, senão fosse por famílias teimosas como a minha que se recusaram a abandonar a cidade. Depois de muitos, muitos anos de trabalho duro, Drisking se tornou o pitoresco refugio em Ozarks que é hoje. Espero que isso responda sua pergunta.


Eu me sentei de volta e Kyle balançou a cabeça para mim – Mano...


A reunião durou mais um quinze minutos, até que a Sra. Verdyl finalmente nos liberou. Fomos para o refeitório esperar que as filas se formassem. Kyle, Kimber e eu nos sentamos em nosso canto habitual.


- Isso foi muito chato! – Kyle choramingou – Quando eles vão perceber que ninguém se importa com a história de Drisking? Sério, eu cochilei umas três vezes.


Kimber me cutucou – Sam parecia se importar – brincou ela.


- Eu só queria saber sobre as minas. Acho as minas assustadoras, apenas isso.


- Sim, mas todas as minas da cidade foram explodidas. Você não pode mais entrar nelas. – disse Kyle.


- Explodidas? – Eu perguntei.


Kimber assentiu – Algumas crianças morreram depois de entrarem nas minas, então a cidade deu inicio a algumas “explosões controladas para implodir as cavernas”, pelo menos é o que minha mãe me disse. Eles bagunçaram, porem, eu ouvi que eles explodiram o lençol freático ou o envenenaram ou algo assim.


- O que? Como você sabe disso?


Kimber encolheu os ombros – Eu ouvi meu pai falando sobre isso.


- Eles usaram C4 ou algo assim?


- Eu acho que sim.


Então todos se todos nós bebemos a água, então temos C4 em nossos corpos e poderíamos explodir a qualquer minuto? – Kyle disse animadamente.


- O que você acha que aconteceu com todas as pessoas desaparecidas? – Perguntei a ele – Eles estavam apenas sentados no sol algum dia e BOOM!?


- Sim cara – Kyle agarrou meus ombros –E é dai que os homens esfolados surgem.


Eu fiz o símbolo internacional de pessoa louca e rimos histericamente.


- Vocês são burros – Kimber revirou os olhos, mas então ela riu quando Kyle caiu no chão fingindo que estava explodindo.  Lembro-me de pensar naquele momento que eu realmente era feliz naquela cidade de Drisking com aquelas duas pessoas. Mais feliz do que já estive em qualquer outro lugar.


E foi o ultimo momento verdadeiramente feliz que tive. Menos de uma hora depois, o telefone do Sr. Diomont, ele trocou algumas palavras silenciosas com a pessoa do outro lado da linha, seus olhos passando rapidamente pela minha mesa. Foi difícil ficar surpreso, então, quando ele desligou, me pediu para ir até a frente.


Quando cheguei lá, ele me disse que minha mãe estava me esperando na secretaria e que eu devia arrumar minhas coisas que sairia mais cedo. Eu troquei um olhar confuso e preocupado com Kimber e então arrumei minha mochila e fui para secretaria. Quando cheguei lá, minha mãe estava chorando.


Nós dirigimos para casa em silencio. Eu estava com medo de perguntar o que estava acontecendo. Mamãe estacionou o carro a um quarteirão e nossa casa, que estava bloqueada com vários carros da policia. Como a explicação não veio, eu mesmo quebrei o silencio.


- É o papai? – Eu perguntei baixinho, segurando as lágrimas.


- Não querido, seu pai está bem – Ela sussurrou.


- Então o que aconteceu?


- Sua irmã, Whitney nunca chegou á escola essa manhã.


- Oh, mãe, eu acho que ela matou aula – Eu disse rapidamente – Eu vi ela saindo mais cedo hoje, tipo umas 6, e ela estava com as amigas, Pete Witiger e aquele garoto Taylor.


- Nós sabemos de tudo isso, Sam. Mas eles foram para escola e Whitney não estava com elas. Eles disseram que ela queria passar no Posto de Gasolina primeiro pero da escola, então eles a deixaram lá. E ninguém a viu desde então.


- Bem... – Meu cérebro lutou para chegar a alguma explicação – Talvez ela esteja matando aula.


- Não querido – Minha mãe ligou o carro e foi até a nossa casa, estacionando atrás de um carro da policia. – A policia, assim como seu pai, acha que Whitney está com Jay.


- Mas ela tem um novo namorado aqui mãe.


- Encontramos todos os livros da escola no chão do quarto dela esta manhã, apenas metade de suas roupas e dinheiro do seu pai faltando na carteira dele.


- Mas...


- Agora, achamos que ela pegou carona para St. Louis e que ela esta com Jay. O escritório do xerife está tentando entrar em contato com os pais do menino agora.


- Whitney, Fugindo? Qualquer um que conhecesse minha irmã sabia que ela estava propensa a dramas e ameaças vazias. Além disso, ela estava namorando o irmão mais velho do Chris Witiger, o Pete. Eu tinha certeza disso.


Subimos os degraus e entramos em casa cheia de gente mais velha e múrmuros silenciosos. Eu tentei me lembrar se a própria Whitney havia realmente confirmado o namoro com o Pete, mas esse espaço estava em branco. Quando entramos na cozinha, vi meu pai sentado á mesa, olhando para os registros telefônicos com a mão na cabeça. Ele olhou para mim quando entrei no comodo e me deu um sorriso fraco.


- Hey amigo.


- Pai, eu tenho uma coisa para dizer.


Senti uma mão pesada no meu ombro e me virei para olhar o solene Xerife Clery.


- Tudo e qualquer coisa que você possa saber filho. Não importa o quão trivial você pense que seja.


Eu balancei a cabeça e sentei-me a mesa com meu pai, enquanto minha mãe estregava uma xícara de café ao grande homem.


- Aqui está xerife – Ela disse fracamente.


- Por favor , Sra Walker, me chame Killian.


Minha mãe assentiu e recuou para um canto escuro para conversar em voz baixa com a esposa do xerife Clery, Grace.


- O que você sabe Sam? – Meu pai perguntou enquanto descansava o queixo sobre as mãos em um símbolo de oração, como se eu pudesse livra-lo do sofrimento.


- Bem, eu ouvi que Whitney tem um namorado aqui, aquele cara do lava rápido, Pete Witiger e eu vi eles e Taylor Dranger saírem hoje de manhã antes de mim.


- A que horas eles saíram? – Perguntou o xerife.


- Eu não sei, um pouco antes das seis.


Ele assentiu – isso coincide com as declarações de Taylor Dranger e o menino Pete Witiger – A cabeça do meu pai afundou em suas mãos e eu sabia que tinha decepcionado.


- Não acho que ela voltou a St. Louis porque ela estava namorando com o Pete e não acho que ela queria fugir de casa.


- Eu entendo isso filho, mas a mente de uma adolescente é uma coisa complicada. Meus oficiais estão tentando se apossar da família do namorado em St. Louis. – Clery acenou para meu pai – Agora, porque você não vai para seu quarto e nos deixe trabalhar Sammy.


Eu olhei com surpresa – O que? Não! Eu quero ficar aqui embaixo. Eu quero ajudar!


- Não filho, Não há mais nada que você possa fazer asui. Você tem sido um bom irmão, agora os adultos tem que lidar com isso.


- Mas eu posso ajudar.


- Você já ajudou.


- Mas pai! – eu olhei para meu pai com os olhos implorando.


- Vá para seu quarto Sam – Ele disse baixinho depois de um momento. Eu recuei.


- Papai.


- Agora!


Eu estava com tanta raiva que fiz a única coisa que poderia evidenciar minha raiva, eu pisei pesadamente no andar de cima e bati a porta com força e depois m sentei na minha cama em descrença. As lagrimas vieram então e eu fiquei lá, me sentido impotente, sem valor e com medo pela minha irmã.


 Pensei em todos os lugares que Whitney poderia ter ido. Ela estava com medo? Estava sozinha? Estava... Morta? Quando o sol começou a se por, finalmente saí da cama e fui checar meu e-mail. Eu estava esperando muitas mensagens de Kimber e Kyle, mas havia apenas uma.


“Será que ela foi para a casa da árvore?”


Fiquei sentado olhando para tela do computador por quase um minuto, as palavras de Kimber do último outono ecoaram no meu cérebro.


“Se você entrar na casa da árvore sem a devida cerimonia, você desaparecerá e então morrerá”.


Eu não aceitei que Whitney tenha ido ao posto de gasolina comprar algo naquela manhã, e também não acreditava que ela tivesse fugido da cidade. Nada do que eles estava dizendo lá embaixo fazia sentido se você conhecesse minha irmã, Mas isso sim poderia ter acontecido. Talvez ela e seu namorado foram para a casa da árvore para fazer alguma coisa lá, e ele talvez tenha deixado ela lá por algum momento. Talvez ela tenha se perdido ou talvez os Homens esfolados a tivessem encontrado. Esse foi o pior de todos os pensamentos.


Eu não precisava fugir porque a policia estava muito ocupada com meus pais para se importar comigo de qualquer maneira. Eu tirei minha bicicleta da garagem e pedalei por três quilômetros até a “Trilha da Orla Leste de Minério de Prescott”. Quando cheguei lá, vi duas bikes já estacionadas na placa e meus dois melhores amigos sentados na neve ao lado delas.


- Eu sabia que você viria – Disse Kyle quando desci da bicicleta e Kimber correu para me abraçar.


- Eu sinto muito Sam.


Não havia realmente nada para eu dizer a eles. Kimber pegou meu braço e nós começamos a trilha. O silencio entre nós estava esticado, mas confortável. Nós nos arrastamos pela neve e todo o tempo eu procurava por pegadas que pudesse revelar algo, mas a neve estava vindo rápida demais. A subida da montanha era mais difícil e úmida do que quando viemos no outono. E quando o FoRte de Ambercot finalmente apareceu, foi uma visão bem vinda. Os sol estava se pondo e nós não tínhamos trazido lanternas.


Eu cai enquanto corria até a arvore, chamando o nome de minha irmã para a quietude selvagem. Kyle estava bem atrás de mim e saltou impressionantemente até a escada de corda subindo rapidamente pelas tábuas. Eu continuei chamando o nome de Whitney, esperando Kyle  gritar o que ele tivesse encontrado ou pelo menos algum sinal dela.


E então ouvi Kimber chamar baixinho pelo meu nome de onde estava a árvore tripla. Eu corri e tentei seguir os olhos dela para confirmar o que eu já previa que estava lá. E então eu encontrei, recém esculpido perto do topo:


Whitney Walker.


Minha respiração congelou no meu peito e minha visão ficou borrada com lágrimas indesejáveis. E quando o sol deu seu ultimo feixe de luz antes de mergulhar nas profundezas do horizonte, um turbilhão metálico ensurdecedor cantou do deserto e desceu pela encosta da montanha.

Eu sou um Coach da Morte

Os coaches motivacionais ajudam as pessoas a concretizar seus objetivos pessoais e profissionais, apoiando seus clientes enquanto eles navegarem por todos os obstáculos que a vida lhes lança. Os Coaches da morte desempenham um papel diferente, que só começa depois que seu coração para de bater.


Morrer não é fácil, mas aceitar a morte é ainda mais difícil – é aí que eu entro. Eu trabalho com os falecidos recentemente, apoiando-os enquanto se ajustam à vida após a morte.


É um trabalho difícil, muito perigoso também, mas amo cada momento de uma forma que você não acreditaria. Quando você enfrenta a morte todos os dias como eu, a vida se torna muito mais doce.


Garet foi meu primeiro cliente “problemático”, todos os outros até aquele ponto eram passivos e ansiosos para fazer a transição. Um menino tímido e sensível, Garet foi espancado até a morte por um grupo de brutamontes ansiosos por qualquer motivo para lutar. Em um dia sufocante de verão, Garet tropeçou em seu ponto de encontro e testemunhou coisas que não deveria. Ele se tornou um risco e aqueles vilões decidiram que sua vida não valia a pena sua liberdade. Eles jogaram seu corpo sem cerimonia em um bosque de trepadeiras espinhosas, mais tarde encontrado por um par de observadores de pássaros.


Ao chegar do outro lado, Garet se tornou algo totalmente diferente. A brutalidade e a indignidade de sua morte distorceram sua mente e Garet se transformou na escuridão que o consumiu. Seu espirito era vicioso, um cão raivoso que atacaria qualquer um que se aproximasse. Ele possuiu vários rapazes, feriu mais uma dúzia e aterrorizou a comunidade que ele chamava de lar.


Quase nove anos depois da morte de Garet cheguei a um vilarejo sonolento de Wisconsin situado da fronteira de Illinois. Os mortos não podem pedir ajuda, eles nem mesmo sabem que precisam dela na maioria das vezes. Os coaches da morte são designados para os casos por supervisores, por isso procuramos nossos clientes e não o contrário.


- Quarto para um, para fumante, se tiver.


Uma mulher rouca e séria estava sentada atrás de uma mesa de recepção degastada. Ela arrastou com a voz rouca a ponta de um cigarro, amassando-o em um cinzeiro já cheio.


- todos nossos quartos são para fumantes madame, não é uma delicia?  - Ela riu secamente com uma tosse cheia de muco – Isso custará $ 65 por noite, mais impostos.


- Ótimo, não devo ficar aqui por mais de uma semana. Presumo que isso não seja um problema? – Eu respondi educadamente.


- Você pode ficar aqui contanto que seu cartão de crédito continue passando, essa é a nossa politica – Suas palavras ecoaram enquanto eu entrava no corredor vazio do motel.


Os quartos do Cabine Vermelha cheiravam a desespero e sonhos desfeitos. A decoração chocantemente desatualizada, juntamente com a falta de saneamento e manutenção, tornaram a estadia particularmente desagradável.  Infelizmente, os coaches da mortes não ganham muito e nós pagamos do bolso, então eu pego o que posso conseguir.


Abrindo minha pasta, fixei uma serie de recortes de jornais e fotos desgastadas em um quadro de cortiça que pendurei na parede. Flocos de papel de parede caem em cascata enquanto reposiciono a prancha, garantindo que eu possa vê-la perfeitamente do colchão fino e levemente manchado.


Uma linha de tempo da vida e morte de Garet apareceu diante de mim. Ele era uma criaça solitária e cheia de traumas, não conseguia encontrar uma única imagem dele sorrindo ou com amigos. Garet foi criado por uma mãe solteira que parecia ter saído do estilo gótico americano. Uma mulher extremamente modesta e religiosa, ela ensinou Garet a temer profundamente o mundo profano.


Uma foto do jovem condenado por seu assassinato fez a transição da linha do tempo para a próxima fase da jornada de Garet, sua morte. Dos oito meninos envolvidos na agressão, apenas o mais velho enfrentaria acusações graves – e ele só pegou dez anos. Os outros receberam sentenças brandas como réus primários no sistema de justiça juvenil. Eles foram implacáveis e, após serem liberados, os meninos mais novos usaram sua morte como medalha de honra para aumentar suas atividades criminosas.


A próxima foto importada era uma cena de crime respingada de sangue, quatro jovens massacrados em uma área arborizada isolada. Rostos contorcidos em posições não naturais, feridas de punição e ossos quebrados indicavam um longo período de tortura antes da morte. Outros quatro sobreviveram ao ataque, mas foram terrivelmente desfigurados e internados indefinitivamente em instituições psiquiátricas.


Não estou justificando suas ações, mas esse deveria ser o espirito de justiça de Garet necessário para descansar. Em vez disso, teve o efeito oposto. Sua loucura só cresceu, e a violência piorou continuamente. Garet atacou impulsivamente, atacando aqueles que entravam na floresta à noite.


A reabilitação é sempre possível, ou assim acredito, mesmo em casos como o de garet.


Muitos em seu setor discordariam dessa mentalidade, argumentando que espíritos como Garet não merecem mais a redenção; Eu tive mais uma discussão acalorada debatendo esse problema. A verdade deles era impossível de aceitar, porque Garet e outros como ele não poderiam ser salvos, então eu também não estaria.


Por vários dias, eu persegui as pessoas que conheceram Garet. Sua mãe, professores, valentões de playground e o casal que descobriu seu corpo. No inicio, observei de longe, mas assim que me senti confortável o suficiente, iniciei uma abordagem mais direta.


- Mãe, eu não quero incomodar, mas você parece uma mulher justa e temente a Deus; mão como os outros canalhas desta cidade. Você faria a gentileza de ajudar outra alma justa em seu caminho para salvação? – Deitado em um sotaque sulista tão grosso quanto melaço, tirei meu chapéu para a mãe de Garet.


Um leve sorriso surgiu em seus lábios – Você deve ser um advinho, ou talvez esteja sendo modesto. Me chamo Britany Tilaway, prazer em conhece-lo – Ela estendeu a mão eluvada, fazendo uma leve mesura.


- Natanael Peter, e o prazer é todo meu – Apenas metade da frase era verdadeira.


Sob o pretexto de procurar uma casa de culto adequada, perguntei a Sra. Tilaway se ela estaria disposta a me levar à sua igreja; ela disse sim sem perder o ritmo. Eu sabia que ela havia crescido no sul de Kentuky, filha de um rigoroso pregador batista. Para garantir sua cooperação, imitei o homem que ela mais admirava – seu pai.


- Seu sobrenome parece familiar, por acaso você não teria família em Kentucky? – Eu perguntei despretensiosamente, colocando a isca.

- Oh meu Deus, Sim eu sou de lá. Você conhece minha família? Não restaram muitos de nós hoje em dia, então presumo que isso já faça muito tempo – sua voz vacilou ligeiramente.

- Havia um pregador chamado Tilaway que conheci quando jovem, ele mudou completamente a minha vida. Eu estava vivendo uma vida de pecado sem arrependimento antes de conhece-lo, mas ele expulsou os demônios e me transformou no homem de Deus que você vê hoje. Esse pregador é um de seus parentes?


A Sra. Tilaway olhou para mim com admiração e orgulho, uma faísca brilhando borbulhando em seus olhos: - Esse foi meu pai, eu simplesmente não posso acreditar nisso, mas você está falando do meu papai – sua voz estava tremula.


- Deus é bom, Deus é grande! – Exclamei com entusiasmo – Sra Tilaway, você vê o que está acontecendo aqui? Deus nos uniu, isso não é coincidência, este é o destino divino.


Admito que senti uma ponta de remorso, estava manipulando essa mulher por meio de sua fé e reverencia por seu falecido pai. Cada palavra que saiu da minha boca foi cuidadosamente roteirizada e ensaiada, até o sotaque. Motivos à parte, eu estava usando essa mulher, mesmo que fosse para salvar a alma de seu filho.


- Posso ter a ousadia de lhe fazer uma pergunta? – Eu perguntei respeitosamente quando chegamos á igreja.

- Não vejo porque não – Respondeu ela com uma pitada de entusiasmo. 

- Eu sou um naturalista e estou aqui para trabalhar. Estou estudando uma espécie rara de insetos noturnos nativos da área circundante e sei que parece estranho, mas acredito que Deus quer que você faça parte disso. Eu não sei por que, mas parece que ele está me comandando a lhe convidar agora mesmo.


Seu sorriso cresceu mais amplo – Como meu pai me disse uma vez, “você ou anda com os justos ou sem ninguém.”.


Eu sorri de volta, sabendo que meu plano estava dando certo, - Vou entender isso como um sim. Encontre-me aqui ás oito, vejo você então.


A mãe de Garet, sem nada mais, foi rápida – Chegando exatamente no horário programado.


Com um véu branco pendurado no ombro, ela estremeceu ligeiramente com a brisa fresca. Eu estava esperando há uma hora, folheando a bíblia sem pensar em um banco de parque próximo.


- Boa noite srta, Tilaway, obrigado por sua oportunidade – Levantando-me do banco, me curvei como um verdadeiro cavalheiro do sul faria.

- Boa noite Sr Peter, podemos ir?


Eu a conduzi até os limites da cidade, divagando sobre revelações bíblicas e o secularismo hedonista dos jovens; Eu estava dando carne vermelhar para o leão. Ela prestou atenção em cada palavra minha, sem saber que eu tinha lido todos os sermões que seu pai havia publicado, regurgitando-os o melhor que pude.


Quando entramos na floresta, seu humor mudou visivelmente. A Sra Tilaway estava nervosa, mordendo o lábio ansiosamente. Ela não tinha como saber que estávamos indo para o local do assassinato do seu filho, estava muito muito escuro, mas ela estava claramente desconfortável com a floresta.


- Você está bem? Você parece um pouco apreensiva – Seguindo um caminho coberto de palha, olhei para a mãe de Garet com um olhar de preocupação planejada.

- Estou bem, só está frio – respondeu ela de forma pouco convincente.


A floresta estava mortalemente silenciosa. A Sra Tilaway pode não ter notado, mas eu estava totalmente ciente do silencio ensurdecedor. À medida que nos aproximávamos da campina onde a vida de Garet havia terminado, o ar ficou visivelmente mais frio. Nuvens negras rolaram inesperadamente do leste, cobrindo as estrelas com seu abraço.


A mãe de Garet parou de andar quando a campina apareceu. Você podia ver a compreensão em seu rosto, a compreensão sombria de onde eu a tinha levado. Ela virou a cabeça para mim, os olhos franzidos de raiva.


- Quem é você? Quem é realmente você? – O ódio fervendo logo abaixo da superfície, a Sra Tilaway se afastou de mim.

- Eu sou um Coath da morte e estou aqui para ajudar seu filho a encontrar a paz. Lamento sinceramente por mentir para você, mas isso não pode ser feito sem você – Um som de estalo sinistro ecoou pela floresta enquanto tentáculos de nevoa espessa envolviam casca de musgo.

- Você não é cristão, Você é um vaso de Satanás! Isso é magia negra do demônio e não farei parte disso. Meu filho está com seus avós no céu, como você ousa dizer o contrário!


Enquanto ela se enfurecia comigo, ela não percebeu a nevoa tomar forma e escurecer. Como uma escultura moldada em um bloco de mármore, uma figura emergiu.


- Mãe? Você pode me ouvir? Mãe? – Uma voz desencarnada flutuou por entre as árvores. A sra Tilaway recuou, a cor sumiu de seu rosto.

- Não, por favor Deus, Não! – Ela estava abalada, murmurando para sí mesma.


Não tenha medo. Isso não é um demônio ou magia negra, é seu filho. Com você aqui, ele é inofensivo quanto foi em vida. Sua presença pode trazer-lhe paz, ele só precisa de um pouco de convencimento da minha parte – Tomando um momento reconfortante, alcancei a Sra Tilaway.


O método mais eficaz para pacificar os espíritos é introduzir uma pessoa ou objeto querido em seu ambiente. Quando estava sendo treinado, vi a humanidade retornar até mesmo às lamas mas dementes quando essa técnica foi empregada. Confiante de que havia neutralizado o perigo, coloquei uma mão reconfortante nas costas da mãe de Garet. Imediatamente, ela empurrou a mão e começou a hiperventilar.


- Você não entende. Eu sei que é meu filho, é por isso que estou tão assustada. Senhor me ajuda, você sabe o que você fez?


Um vento forte soprou ao nosso redor, levantando sujeira e folhas mortas. A nevoa se solidificou e um Garet ensanguentado apareceu flutuando acima do solo.


- É tão bom ver você mãe, nunca pensei tivesse vindo tão longe na floresta. Achei que você soubesse melhor – Garet abriu um sorriso diabólico e cheio de dentes. Suas pupilas queimavam vermelhas, afundando em piscinas pretas.


A Sra Tilaway disparou, fugindo o mais rápido que suas pernas de frango podiam suportar. Antes que ela chegasse a três metros, uma videira explodiu do chão e se enrolou com força em seus tornozelos. Ela caiu bruscamente no chão, sua cabeça batendo contra o cascalho.


- Onde você vai mamãe? Precisamos conversar muito sobre isso – Garet oscilou entre varias oitavas.

- Conversar? Não temos nada para conversar. Você é um monstro Garet, toda a cidade sabia disso. Se eles não tivessem matado você, você teria os matado e muito mais junto com eles. Se você quer que eu implore, peça perdão, então você está sem sorte. Não me arrependo de nada, na verdadem teria mandado você para a floresta de novo se tivesse tido a chance – Ela estava cheio de veneno, cuspino por entre os lábios franzidos.


Os membros de Garet se alongaram, retorcendo-se em vinhas espessas e espinhosas de névoa.


- Eu era o que você me criou para ser. Tudo que eu conhecia era violência, tormento e abuso – mas você chama isso de amor. Bem , isso é o que seu amor criou.


Com velocidade nauseante Garet empalou o joelho de sua mãe. Ela uivou de dor, o sangue acumulando-se aos seus pés. – Eu nunca te amei. Seu pai era um demônio e você sua semente. Como eu poderia amar isso? – apesar do ódio terrível que ela estava vomitando, eu estava reconhecidamente impressionado com o desafio e a força da Sra Tilaway. Após outro choque inicial de empalhamento, ela rapidamente se recompôs, um fogo próprio queimando atrás de seus olhos.


Um emaranhado de videiras explodiu do peito de Garet, envolvendo-se em torno de sua mãe como uma horda de sucuris. Eles deslizaram e se apertaram ao redor de seu corpo até angoli-la inteira. Observei atentamente enquanto as videira viajavam de volta para Garet, absorvendo sua mãe junto com eles.


“ É por isso que ele ainda está aqui” – Pensei comigo mesmo.


Quando eu trouxe a Sra Tilaway para floresta, não era minha intenção fazer dela um cordeiro de sacrifício, mas o destino é inevitável. Embora eu não chamasse de justiça, pelo menos não mais, eu também não chamaria de injusto o que Garet fez naquela noite.


Assim que Garet absorveu totalmente sua mãe, abafando seus gritos de tortura, seu corpo começou a se decompor. Carne e músculos se desprenderam do osso, saindo no chão antes de se dissolverem em nuvens cinzas. Quando voltou ao pó, Garet olhou brevemente para mim. Sua alma em paz, ele acenou com a cabeça silenciosamente enquanto desaparecia com o vento.

Eu não tinha certeza de como me sentir, ainda não tenho certeza. Moralidade e verdade são frustrantemente ambíguas e se existe um deus, sua ambivalência é reveladora. Este não foi um final feliz, mas eu concluí minha tarefa mesmo assim. Ao digitar o relatório resumido, fiz questão de incluir algumas omissões estratégicas que manteriam meus superiores longe de mim.


Os coaches da morte não são juiz, o júri ou o carrasco. Não somos advogados ou famílias nas arquibancadas assistindo depoimentos entre as respirações suspensas. Tudo o que fazemos é destrancar as portas do tribunal, e o que acontece depois disso, é para seu universo decidir.


Sinceramente, como a vida a morte também não é justa.


O Paraíso é real, mas tem um armadilha

 

Olá ouvintes, Meu nome é Shaun. Tenho 54 anos e morei no Arkansas a vida inteira.


“Fácil” é uma palavra que eu nunca escolheria para descrever como tem sido minha vida. “Cumprir” é outra que se encaixa nessa categoria.


Quando eu era apenas uma criança, minha mãe e meu pai morreram em um trágico acidente de carro. Ainda posso me lembrar claramente dos sons da policia enquanto eles derrubavam a porta da frente da minha casa de infância pouco tempo depois de suas mortes. Pelo que aprendi desde então, meus pais nunca foram as melhores pessoas. Naquela noite, eles deixaram a casa – deixaram seus dois filhos – em uma tentativa bêbada de comprar mais bebidas na loja de bebidas da cidade. Afinal, eram apenas alguns minutos de distancia, certo?


Meus pais levaram uma família de quatro pessoas com eles no acidente. Eles estavam viajando tarde da noite em uma viagem. Acho que eles estavam indo para o Texas... Não consigo lembrar mais. Eu penso neles às vezes.


A morte de meus pais deixou meu irmão mais velho e eu órfãos. Tudo o que restou para nós foi o relógio que meu pai estava usando naquele dia. Felizmente, ainda tínhamos um par de avós sobrando. Eles juraram nos acolher e nos criar como seus próprios filhos.


Minha avó era uma mulher gentil. Ela tentou seu melhor. Meu avô era um bêbado, como seu filho. Ele tentou parar por nós, mas o chamado da garrafa era claramente forte demais para ele.


Ele costumava bater em nós dois nesses estados de embriaguez, mas até eu posso admitir agora que eram punições tipicamente merecidas.


Quando fiz 20 anos, meus avós já haviam falecido. Meu irmão Colin e eu estamos sozinhos então.


Nunca tivemos muito dinheiro entrando naquela casa. A faculdade nunca seria uma opção para mim. Eu nunca fui bem na escola e a ideia de uma dívida paralisante me abalou profundamente.


Em minha juventude, descobri meu amor pela marcenaria. Eu tinha construído a maioria dos móveis que estavam na casa dos meus avós que entrei pela porta pela ultima vez cerca de trinta anos atrás.


Meu ponto mais baixo ainda não veio dois anos depois quando Colin decidiu tirar a própria vida. Um dia, eu tinha alguém que cuidava de mim, alguém que compartilhou minhas dores. Ele era minha rocha. No outro, eu estava sozinho.


Conheci Annabel quando tinha apenas vinte e dois anos. Imediatamente fiquei encantado com a beleza que irradiava dessa garota. Seus olhos eram de um azul tão brilhante... Gostaria que você pudesse vê-la.


Ela veio à minha loja um dia na esperança de encontrar uma mesa para seu novo apartamento. Ela estava dormindo na minha própria cama – nossa cama- apenas três meses depois.


Em meio a minha maior perda, o buraco que crescia dentro de mim começou a se encher de doçura que é o amor jovem. Ela me fez feliz – Feliz por estar vivo.


Nosso amor, embora eterno, nem sempre foi fácil, no entanto. Após a morte de nosso primeiro filho, pude sentir um fosso crescendo entre nós dois. Quando ela olhou para mim, tudo que ela podia ver era nosso pequeno Joshua. Ela nunca me disse isso, mas eu sabia.


Afinal, eu estaria mentindo se não dissesse o mesmo.


Finalmente, nossos esforços exaustivos foram recompensados. Minha linda filha, Aubrey, veio ao mundo, apenas um ano depois após a morte de seu irmão mais velho. Ela era minha Magnus Opus.


Minha filha acabou de celebrar seu trigésimo aniversário há algumas semanas. Ela havia dirigido de Illinois para visitar seu filho de três anos, a quem deu o nome de seu irmão, Joshua. Além do próprio filho, ela veio sozinha. Problemas com o homem que ela chamava de marido... Ela nunca se sentiu confortável em compartilhar os detalhes comigo.


Apenas algumas semanas atrás, eu estava sentado na minha cozinha tarde da noite.


Annabel se sentou na minha frente, gritando sobre algo que era apenas de menor importância. Não posso falar mal dela agora, pois estava propenso a começar essas discussões mesquinhas sozinho.


Minha filha suspirou do outro lado da cozinha, uma taça de vinho na mão.


- Vocês dois podem se acalmar por favor? Acabei de colocar Joshua para dormir.

- Oh você não precisa mais se preocupar comigo – eu disse, levantando-me.

- Onde você vai? – Aubrey perguntou, observando cuidadosamente enquanto eu cruzava a cozinha.

- Lá fora – eu disse, enrolando a pulseira do relógio do meu pai no meu pulso.

- Oh, cresça Shaun – Annabel disse, suspirando alto

- Pai, acalme-se – Audrey implorou, balançando a cabeça – Tudo esta bem. Você bebeu alguma coisa? Não bebe, bebeu?

- Eu estou bem, volto em breve – Eu disse decidido.


Eu ignorei os chamados de minha família atrás de mim enquanto praticamente abria a porta da minha casa.


Eu dirigi cegamente por um curto período, permitindo que minha mente vagasse. A cada poucos minutos, eu simplesmente começava a gritar. É difícil de explicar. O estresse do meu trabalho começou a aumentar, recentemente, eu tinha conseguido mais alguns empregos do que queria de uma vez. Era assim que eu era.


Não pude deixar de notar que havia entrado na estrada onde meus pais haviam falecido. Em meus 54 anos de vida, sempre fizera o possível para evitar essa rua, mas naquela noite minha mente estava nublada.


Comecei a chorar enquanto dirigia as emoções da minha vida me atingindo todas de uma vez. Eu me senti um fracasso, por minha esposa, por minha filha, por meu neto. Eu não pude deixar de sentir que eu era o problema.


Em meu torpor, quase não vi a pessoa que estava bem no centro da estrada. Eu engasguei alto, empurrando o volante com força para minha direita, o que imediatamente me arrependi. Os faróis do meu carro chicotearam em direção às arvores enquanto eu voava para fora da estrada em direção à floresta.


A estrada desceu um pouco, onde a terra se encontrou com a floresta. Meu carro pareceu cair em câmera lenta enquanto eu despencava na vala.


Certamente não ajudou que eu provavelmente estava acelerando na hora também.


De repetente, o carro parou de se mover. Gritei de dor, percebendo rapidamente que não conseguia me mover. O capô do meu carro quase envolveu o tronco de uma árvore enquanto as luzes iluminavam a floresta na minha frente.


Você já experimentou paralisia do sono? Embora a pergunta pareça surgir do nada, é importante que você entenda como me senti neste momento. Minha imobilidade me lembrou profundamente de como é a sensação de paralisia do sono.


Minha cabeça permaneceu imóvel quando comecei a entrar em pânico em minha própria pele. Minhas costas foram quebradas? Eu estava paralisado?


Forcei meus olhos para baixo, minha cabeça imóvel, enquanto meu olhar caiu sobre minha coluna. Minha espinha dorsal projetou-se para fora do meu peito, aparentemente tendo sido desconectada do meu crânio e perfurando minha pele.


Tentei gritar, mas meu queixo não se mexeu. Meu coração começou a disparar dentro do meu peito. EU não tinha ideia de que tal lesão poderia ser possível.


Observei enquanto o sangue continuava a jorrar do meu peito. Um pouco além da minha coluna exposta, eu podia apenas ver a nova forma do que costumava ser minhas pernas. O que restou foi um saco carnudo de carne e ossos esmagados. Minhas pernas estavam dobradas em ângulos não naturais e vários ossos se projetaram sob minha pele


Meus olhos se moveram em direção ao espelho retrovisor. Eu podia ver o homem da estrada olhando para mim.


Meus olhos estavam completamente pretos.


Eu finalmente comecei a gritar, meus braços sacudindo instintivamente para cima. Minhas mãos se moveram para o meu peito, onde encontrou meu corpo intacto. Olhei para minhas pernas, encontrando-as em sua forma natural.


Eu gemi alto, olhando para o espelho retrovisor. O homem se foi.


Mudei minha mão em direção à fivela do meu cinto de segurança, gemendo de dor ao fazer isso. Eu tinha certeza de que uma das minhas costelas devia estar quebrada.


Eu agarrei o meu lado enquanto lentamente subia a lateral da estrada, ofegando pesadamente ao longo do caminho – SOCORRO! Eu gritei, quase tropeçando quando pisei na estrada.


A rua estava vazia – Olá! – Eu gritei, examinando as laterais da estrada. Afinal, eu tinha acertado o homem?


- Cadê você? – Gritei para escuridão, rezando para ouvir uma resposta.


Minha mão livre alcançou lentamente meu bolso, encontrando-o vazio. Eu tinha deixado meu telefone em casa.


- Droga! – Eu disse, virando meu ombro para olhar na direção do meu carro.


Assim que fiz isso, não pude deixar de sentir a estranha sensação de que estava sendo observado. Eu olhei de volta para a estrada para encontrar um homem parado do outro lado da rua.


- Jesus! – Eu gritei assustado – Eu pensei que tinha te matado. – Eu disse parando enquanto olhava para o homem.


Havia algo... Errado com aquele homem. Era difícil dizer na escuridão, mas quase parecia que ele estava brilhando ligeiramente. Pelo nível de luz que caiu sobre este homem, eu sabia que deveria ser capaz de ver algum tipo de característica em seu rosto.


Não havia nenhuma.


- Olá – Eu gritei uma vez, retornando minha mão ao meu lado – Você está bem?


O homem permaneceu em silêncio. Ele deu um passo em minha direção e depois outro. Conforme o homem se aproximava, comecei a vê-lo melhor. A superfície de todo o seu corpo parecia brilhar. Era quase como se ele fosse feito do ruído branco estático que você vê na tela da televisão.


- O que diabos é isso – Eu perguntei por algum motivo, começando a entrar em pânico enquanto o homem continuava a caminhar em minha direção. Eu me virei, mancando o mais rápido que pude pela estrada.


Continuei a chorar enquanto me movia. – Ajude-me! – Eu gritei olhando por cima do ombro mais uma vez. O homem permaneceu atrás de mim, movendo-se quase na mesma velocidade que eu – Alguém, Por favor!


Eu me virei para frente, gritando de terror quando encontrei a figura em pé bem na minha frente. Eu caí com força de bunda, o homem me observava em silencio enquanto eu tentava ficar de pé. Minha caixa torácica queimava intensamente, fazendo-me cair de barriga para baixo. O impacto só me enviou mais dor pelo meu corpo.


Rolei um pouco, olhando por cima do ombro para o homem de aparência perturbadora enquanto ele olhava para mim. – Por Favor – eu implorei, soluçando – Por favor, não me mate... Apenas... Deixe-me me despedir.


O homem se abaixou sobre meu joelho, estendendo uma de suas mãos peludas. Nele, estava o relógio do meu pai.


Eu encarei o homem por vários momentos antes de estender minha mão, agarrando uma das alças.


Os próprios dedos do homem envolveram a outra metade, me assustando. – Olá, Shaun – Disse uma voz, fazendo-me cair para trás mais uma vez. Parecia que tinha vindo de dentro de minha própria cabeça.


- Que diabos está acontecendo? – Eu gritei, segurando ao meu lado mais uma vez.


O homem deu um passo agachando na minha direção, estendendo o braço mais uma vez. Após um momento de hesitação, estendi a mão.


- você está morrendo, Shaun – A voz disse. Eu não pude deixar de me sentir acalmado pela voz, mesmo com a imagem perturbadora de um homem sem rosto aparentemente olhando nos meus olhos diante de mim.

- Tem... tem certeza? – Eu perguntei, tentando me sentar – Eu... eu não sinto que estou morrendo.

- Você está morrendo – a voz repetiu, o homem imóvel.


Eu balancei a cabeça lentamente, olhando para trás na estrada. Eu já estava morto? – O que é você? – Perguntei ao homem, voltando-me para ele mais uma vez – Você é um anjo?


- Você sente falta da sua família, Shaun? – A voz perguntou.

- O que? – Eu respondi, meus braços começando a tremer.

- Você sente falta da sua família? – a voz repetiu.

-Eu... – Eu comecei, o tremor se movendo na minha voz – Claro que eu sinto. Todos os dias da minha vida... Este é realmente o fim?

- Você deseja vê-los novamente? – A voz perguntou, o homem olhando para mim mais uma vez.

- Por favor – Comecei a implorar – Você é... Você é a morte? Por favor, deixe-me falar com minha esposa mais uma vez. Eu não posso deixa-la assim.

- Você deseja vê-los novamente? A voz repetiu. Parecia que o aperto do homem estático ficou mais forte.


Comecei a balançar lentamente enquanto gaguejava – Sim, eu quero.


- Eles estão com você – disse o homem, seu olhar imóvel.


Eu abri minha boca para responder quando minha presença à minha esquerda chamou minha atenção. Eu me virei, encontrando várias figuras da estrada com horror enquanto as figuras olhavam diretamente para mim.


- O que é isso? – Eu perguntei ao homem, incapaz de desviar o olhar.

- Eles estão com você – repetiu o homem.


Uma das cinco figuras chamou minha atenção. Sua silhueta tinha o mesmo formato da minha avó, até o cabelo volumoso que repousava em sua cabeça.

- Vovó? – Eu perguntei, olhando para a linha de figuras. Uma das figuras estava a uma altura considerável acima da minha avó.

- Colin? – Eu gritei, tentando me levantar. Minhas costelas me lembraram mais uma vez que eu não iria a lugar nenhum. Quando caí de volta no chão, olhei para trás para meu irmão, encontrando-o segurando algo em suas mãos. Alguém.

- Joshua? – Eu falei, as lagrimas voltando rapidamente aos meus olhos. Isso não poderia estar acontecendo.

- Você deseja estar com eles para sempre? – O homem repetiu, seu olhar imóvel.


Comecei a sentir medo mais uma vez. – Isso é real? – Eu perguntei, olhando brevemente para que parecia ser minha família. – Qual é o seu nome?


O homem permaneceu em silencio por alguns momentos – Meu nome é Jeffrey – Disse ele, fazendo uma pausa – Você deseja estar com eles para sempre?


Eu fiz uma careta pensando – Eu quero. Eu realmente quero – Eu disse, sentindo uma mudança no controle do relógio do homem – Por favor, posso voltar para minha família viva? Posso dizer a eles que estou bem?


Quando pisquei, minha posição na estrada mudou. Eu engasguei alto, caindo para trás de uma posição agachada. Perdi o controle do relógio quando caí, minha mente disparando. Eu estava agora aonde o homem estático estava apenas um momento antes.


Eu encarei o homem que agora estava sentado no lugar onde eu estava. Sua pele permaneceu estática, embora sua forma me lembrasse mais a minha. O homem permaneceu a se contorcer no chão de dor por um momento antes de se levantar lentamente.


- Olá? – Eu perguntei, estendendo a mão para o homem. – O que está acontecendo?


O homem me ignorou enquanto começa a mancar lentamente pela rua, na direção do meu carro.


Observei o homem por alguns momentos antes de voltar para minha família. Eu não pude deixar de olhar com uma mistura de terror e espanto quando fui recebido com os rostos de meus parentes falecidos.


Eu estava do outro lado da rua em segundos, meus olhos incapazes de se mover para longe de seus rostos. Conforme me aproximei, percebi que algo estava diferente neles. Embora sua aparência se assemelhasse à de seu estado de vida, era como se seus corpos estivessem levemente nublados, como se uma nevoa fina pairasse logo abaixo de sua pele.


- Oh meu deus – Eu disse, estendendo a mão para meu irmão. Seus olhos estavam cheios de dor. Meu filhinho, Joshua, continuou dormindo em seus braços – Meu menino – Eu sussurrei, tirando-o das mãos do meu irmão.


No meio daquela rua, beijei a testa do meu filho morto pela primeira vez em trinta anos. É um momento que nunca esquecerei.


Eu olhei de volta para um homem mais velho, um que, embora eu mal o conhecesse reconheci facilmente – Pai... É você mesmo?


Meu pai olhou nos meus olhos, tristeza enchendo os seus – Filho... O que você foi que você fez?


Fiz uma pausa, chocado. Eu examinei os rostos da minha família, pânico crescendo dentro de mim. Todos eles devolveram meu olhar com um olhar de não amor, mas desespero. – O que é isso? O que há de errado?


- Não era a sua hora – Minha mãe falou, a tristeza enchendo sua voz.

- O que? Comecei, olhando para atrás para meu filho. – Mas... eu estava morrendo. Jeffrey me disse que estava na hora.

- Você ainda tem mais coisas para fazer meu filho – Minha avó falou, balançando a cabeça lentamente.

- Este homem não veio do céu – Disse meu avô – Você foi enganado, garoto.


Eu olhei para trás na estrada na direção em que o homem se afastou. Eu não conseguia mais vê-lo.


- Do que você esta falando? – Eu perguntei, o pânico crescendo dentro de mim – Quem é ele?

Colin falou – Ele é você agora, Shaun.

- O que? – Eu perguntei, sentindo meu filho começar a se mover em meus braços – O que você quer dizer? O que ele está fazendo?

- O que ele quiser – meu pai falou.


Jefrey mentiu para mim. Eu não estava morrendo quando ele me encontrou naquela estrada naquela noite. Ele não queria que eu morresse. Ele só queria que eu pensasse que sim.


O céu ou o quer que seja que vi nos dias seguintes, é real. Eu vi isso. É lindo demais para sequer descrever.


Eu concordo com minha família, no entanto, não era minha hora de ir.


Eu fiz algo. Algo incrivelmente egoísta.


Jeffrey foi uma entidade que veio de um lugar invisível para aqueles que residem no céu. Ele aprendeu a maneira de retornar ao nosso mundo para fazer tudo o que ele deseja fazer.


Eu também aprendi esse poder.


A vitima deve estar fraca, de preferencia mental e fisicamente. Deve ser por isso que Jeffrey me escolheu naquela noite. Eu era o alvo perfeito – pelo menos apenas mentalmente, antes do acidente.


Tive... ajuda para encontrar minha própria vitima.


Eles sofreram a vida inteira, assim como eu. Seus pais morreram quando eles eram jovens e seu irmão faleceu recentemente em um acidente muito semelhante. Sua força mental estava além de baixa.


Mais importante ainda, eles moraram a apenas uma hora da minha casa.


Não foi difícil persuadi-la a pensar que ela estava realmente morrendo quando eu apareci de repente diante dela. Sua família tinha um história de problemas cardíacos. Ela era jovem e saudável, mas sua mente danificada ignorou esse fato.


Por meio dessa... dessa magia, eu trouxe os espíritos de sua família morta para sua casa. Eles não tinham outra escolha. Nesse ponto, teria sido mais difícil convence-la a não se juntar a eles.


Eu a enganei para concordar em ficar com sua família para sempre. O consentimento da vitima foi a única restrição que me impedia de retornar ao nosso mundo.


E ai estava.


Eu engasguei alto enquanto trocava de lugar com a garota. Meus braços finos e femininos encostados na cadeira em que me sentei enquanto olhava para o local no chão onde estivera apenas um momento antes. Comecei a soluçar, meu novo cérebro compreendendo totalmente o que tinha acabado de fazer,


Meu nome agora é Serena. Eu sou uma mulher de 21 anos. Meu marido está na marinha. Ele está atualmente fora do país. Eu não tenho certeza por quanto tempo. Juntos, tempos um filho chamado Connor.


Eu acho que posso estar gravida.


Não tenho certeza do que estava pensando. Como passei quase uma semana aprendendo como realizar esse ritual, disse a mim mesma que encontraria minha família e diria a eles que o homem que se parecia comigo não era mais eu. Talvez eu pudesse consertar isso, afinal.


Só quando me vi sentado na sala de estar dessa mulher é que percebi o quão ridícula a ideia parecia, infelizmente.


Que diabo eu fiz?


Tentei ligar para minha esposa naquela noite, sem resposta. Liguei para o telefone da casa, assim como para o telefone da minha filha. Nada.


Levei Conor comigo no carro naquela noite ao sair para minha casa. Minha casa real. Se eles não atendessem minhas ligações, eu mesmo iria procura-los.


Encontrei a casa coberta com fita da policia.


O homem que levou meu corpo assassinou minha família naquela noite. Eu não sei porque ele fez isso. Acho que foi pessoal de alguma forma. Minha Annabel... Aubrey... Meu doce neto.


Suas visões finais, quaisquer que fossem, envolviam o homem que pensavam ser eu.


É tarde demais para mim pensar nisso.


Eu li as noticias agora. Aquele “Eu” ainda esta procurado pela policia. Existem varias outras vitimas, todas ligadas de alguma forma ao assassinato originais. Estou chocado que a noticia inda não tenha se espalhado pelo país.


Eles estão dizendo algo sobre canibalismo.


Eu estraguei tudo. Cada pessoa com que eu sempre me importei se foi. Minha família está morta por causa do que eu fiz. A cidade e provavelmente em breve todo o país, me vera como um homem que matou e comeu sua própria esposa, filho e neto. Além de tudo isso, as coisas que fiz para voltar ao nosso mundo, as coisas que fiz a essa pobre mulher, garantiram mais poder ver minha família.


Há uma arma no armário na porta da frente desta nova casa que agora chamo de minha casa. A única razão pela qual eu não coloco a porra de uma bala na minha cabeça é por causa de Serena.


No inicio, considerei terminar as coisas com o marido de Serena, o Kyle. À medida que os dias se arrastavam, no entanto e comecei a entender melhor a vida de Serena, eu sabia que não conseguiria fazer isso. Não sinto atração pelo homem de forma alguma, como ainda sinto atração por mulheres, mas essa não era minha vida para viver ou mudar.


Isso me torna lésbica?


Que porra eu sou?


Eu orei todos os dias durante a semana passada. Eu imploro para minha família, para Serena, para todos aprender o poder que eu fiz para voltar para casa. Estou tão abalado emocionalmente quanto você pode ficar, de qualquer maneira. Eu sou o alvo perfeito.


Terei prazer em concordar em condenar minha alma se isso significar que posso devolver a vida a Serena.


Até agora, minhas ligações permaneceram sem resposta. Talvez Serena não queira desistir de seu lugar no céu. Talvez eles simplesmente não possam me ouvir. Eu claramente já arruinei minhas chances de voltar para começar.


Cometi muitos erros em minha vida. Este não será um deles. Na semana passada, tentei apender o máximo que posso sobre a vida de Serena. Se ela decidir voltar para casa, ela o encontrará perfeitamente intacto, tal como o deixou. Acho que nunca seria capaz de me perdoar se arruinasse outra vida.


Desculpe pelo longo post. Eu realmente precisava tirar isso do meu peito. Enquanto sento aqui e penso, começo a sentir medo em saber que não poderei ver minha família novamente. Imagino que estarei me sentindo assim por muito tempo, mas sinto alivio ao imaginar que Annabel está por lá. Espero que ela esteja segurando nosso Joshua novamente.


Eu nem tenho certeza porque estou postando isso, com toda a honestidade. Talvez eu esteja procurando o perdão de um de vocês. EU não tenho certeza. Neste ponto, porém, se eu não consigo nem me perdoar, por que deveria importar se você o fizer?

Sou um assassino de aluguel e minha ultima vitima não era um ser humano

 


Você pode imaginar, eu já estive em situações ruins antes, mas nunca algo assim.
Aqui vai um breve contexto:
Cerca de duas semanas atrás, eu estava perigosamente sem dinheiro. Eu acho que a demanda por assassinos de aluguel não estava exatamente em alta. Naquela altura, eu estava disposto a aceitar qualquer trabalho que fosse menos difícil do que assassinar o presidente.

Consegui exatamente o que queria cerca de uma semana após a chegada do aviso de despejo. R$ 20.000. Um cara. E tanto quanto eu poderia  dizer, nenhuma bagagem anexada. Era apenas um idiota aleatório. Ou pelo menos foi assim que eles me apresentaram.

Agora a pessoa, ou pessoas, que me enviou esta oferta parecia um pouco mais reservada do que um cliente normal. Quer dizer, eu normalmente esperava um nome falso, no mínimo, mas esses caras nem mesmo ofereceram um pseudônimo. Tanto faz, pensei. É o que é, certo?

Eles também não pareciam ter um nome para o alvo, simplesmente se referindo a ele como “o monstro”. Foi... Estranho, para dizer o mínimo. Eles me transferiram 10 mil adiantados. O restante viria depois que eu terminasse o trabalho. Essas eram as condições deles.
Comecei a dirigir para o endereço que eles me deram, onde o alvo deveria estar. Disseram-me que viria chegar à meia-noite, por isso cheguei por volta das 22 horas para montar.

Meu arsenal estava um pouco mais pesado que o normal. Eu estava pensando que esse cara podia estar armado e treinado ou algo assim, já que eles estavam dispostos a me pagar uma merda. Eu estava empalando uma Baretta com silenciador, um CZ-72 totalmente automática, um Remington 870, uma M14 com escopo, uma faca borboleta e alguns socos ingleses, se tivesse que chegar perto. Bem... não era só isso; Havia uma ultima que eu trouxe comido. Uma granada. Bem eu não pensei que realmente iria precisar usa-la. Estava lá apenas para o caso de alguma merda sair extremamente do controle.

Me escondi o melhor que pude na escuridão da fabrica suja e esperei até meia-noite, por volta das 12h11 as porta enferrujadas se abriram. Observei através do meu visor uma figura anormalmente alta entrar, estava vestindo uma blusa e calças compridas. Pela descrição que eles me deram, esse era definitivamente o cara. Quero dizer, quantas pessoas tem 2,5m?

A questão é que ele estava se movendo rápido demais para que eu pudesse acertar um tiro certeiro e eu não queria arriscar entregar minha posição. Na verdade ele estava correndo por qualquer motivo. No entanto parecia estar desarmado, então me permiti relaxar um pouco.

Eu o perdi quando ele bateu uma porta à minha esquerda. Movendo-me silenciosamente, peguei a Beretta, coloquei o CZ-75 no meu coldre e o segui. Agora, o lugar que ele entrou estava escuro como breu, mas eu planejei isso. Coloquei um par de óculos de visão noturna e comecei a percorrer a área. Parecia que ele me levou para um corredor. No entanto, não consegui encontrar o cara. Foi então que o primeiro pensamento peculiar me ocorreu.

Como diabos ele estava enxergando alguma coisa aqui?

Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi um grito estridente vindo de algum lugar no final do corredor. Cuidadosamente, manobrei meu caminho até lá e dei uma espiada nos corredores ramificados da esquerda e da direita. Os gritos definitivamente vinham de uma sala à esquerda. Quando cheguei na metade do caminho, ele simplesmente parou de repente. Eu congelei em meus passos.

Foi nesse momento que um corpo saiu voando da sala. Quase gritei em choque, mas consegui me controlar. Eu assisti quando o que parecia ser um homem de 20 e poucos anos bater na parede na minha frente e ricocheteou, plantando o rosto com força no concreto. Fez um barulho doentio e esmagador. Vislumbrando melhor o corpo, notei que uma das pernas parecia amassada. Como se o próprio terminador o tivesse agarrado e apertado com força.

Eu podia ouvir o responsável por isso começando a voltar para o corredor. Sentindo-me extremamente perturbado e um tanto despreparado, recuei silenciosamente para o hall de entrada principal. De lá, Mirei o CZ diretamente nos corredores de interseção e esperei. Quero dizer, não havia como ele me ver... certo?

Meu coração deu um salto com quase cada passo que o cara dava. Ele estava se aproximando. Mais perto. Mais 3 passos... 2...

(tiroteio)

Assim que ele entrou na minha visão, esvaziei todo o pente. Minha precisão sempre foi decente, então eu diria que mais da metade acertou. Contudo...

Ele ainda estava de pé. E não apenas isso, ele mal se encolheu. Foi quando olhei mais de perto seu rosto.

Tudo que eu posso dizer é... que ninguém é assim. Na verdade, nunca vi nada parecido com que estava olhando naquele corredor. Seu rosto era... incompreensível. Não como o demônio convencional ou mutante que você viria nos filmes... era algo com qual o cérebro humano não deveria ficar cara a cara. Não pertencia ao nosso plano de existência.

Seus olhos estavam mudando constantemente... transformando-se, se você preferir assim. Era como se duas íris compartilhassem uma pupila grande e vazia. A boca... se é que poderia chamar assim, estava torcida em um sorriso que parecia envolver toda a sua cabeça, não apenas orelha a orelha. Essas eram as únicas características distinguíveis. O resto da pele em seu rosto parecia estar mudando constantemente entre algo plasmático e as vezes centenas de minúsculos vermes rastejáveis.

Aquela coisa olhou diretamente para mim e soltou uma risada profunda e gutural que parecia reverberar por todo o corredor. Eu até tive que olhar rapidamente para trás porque parecia que estava vindo de todos os lugares.

Eu mal conseguia pensar. Larguei o Cz e puxei a Beretta. Esvaziei três tiros bem na cabeça, mas a monstruosidade mal reagiu. Apenas começou a rir mais alto.

Obviamente essa criatura não morreria tão cedo. Eu pulei para fora do corredor e voltei para o andar principal da fábrica. Meus pensamentos estavam uma bagunça, mas consegui me lembrar onde havia deixado a espingarda. Eu rapidamente fiz meus caminho até lá e o peguei. Quase tive um ataque cardíaco quando me virei a vi aquela coisa olhando diretamente para mim. Ele ainda estava rindo, além de agora babar daquele líquido preto e espesso. Parte disso pegou minha mão e imediatamente corroeu minha pele.

Estremeci de agonia antes de disparar um tiro direto em seu rosto. Desta vez, ele realmente pareceu reagir. Notei que as balas conseguiram perfurar sua pele, mas apenas ligeiramente. Ele parou de rir em vez de deixar escapar um grito estridente e ensurdecedor que quase explodiu meus tímpanos. Ele agarrou meu braço e me jogou a alguns metros de distância. Caí com força batendo o ombro e acho que quase quebrou. No entanto, não tive o luxo de deixa-lo descansar.

Eu bombeei a espingarda de volta e disparei outra bala diretamente no peito da criatura enquanto ele me atacava. No entanto, não consegui sair do caminho rápido o suficiente. O impacto do golpe me mandou voando cerca de três metros no ar. Eu caí desajeitadamente, sentindo meu tornozelo deslocar enquanto o fazia. No entanto, eu também estava bem perto da mochila onde guardava a granada. Havia realmente apenas uma opção deixada aqui. Eu me arremessei até ele e agarrei febrilmente o explosivo.

Assim que coloquei minhas mãos sobre ele, puxei o pino. Eu já podia ouvir a criatura voltando para mim. Eu me virei e rolei em direção à coisa. Eu mal consegui chegar atrás de um pilar a tempo da explosão.

Não acho que o som que ele produziu sairá da minha mente. Não foi apenas um grito. Não apenas um rugido. Era como se todo o ar ao meu redor estivesse sendo sugado para a boca gigante da coisa e distorcido em algum tipo de berro sobrenatural. Saí de trás do pilar para ver a coisa cambaleando. Estava faltando uma perna agora. Mas em vez de um osso para fora, havia algum tipo de apêndice escura e brilhante se contorcendo para fora de seu ombro decepado

Sem correr riscos, esvaziei o resto dos disparos da espingarda na cabeça da criatura. No entanto.... Ele ainda não morreria.

Ele estava muito ferido, mas continuou se movendo. Cansado e com dor, tropecei e observei a entidade bizarra escalar uma parede e sair por uma janela aberta. Essa foi a última vez que vi aquilo.

Imediatamente depois, arrumei minhas coisas, entrei no carro e fui para casa.

Já se passaram algumas horas desde então. Estou sentado aqui agora, ainda em descrença absoluta dos eventos que acabaram de acontecer. Não quero nem começar a pensar sobre o que diabos era aquela coisa. Eu tentei entrar em contato com as pessoas que haviam me enviado atrás dele, mas eles estavam me dando o tratamento de silêncio. Claro.

Mas havia algo bastante interessante que vi no noticiário.

Era uma reportagem sobre um assassinato ocorrido em uma fábrica abandonada. O mesmo em que eu estava. Aqui estava a pessoa que vi sendo espatifada contra uma parede, ele era na verdade um executor procurado por uma gangue criminosa local. Na verdade, apenas alguns dias atrás, outra pessoa foi assassinada em uma cidade vizinha. Eles revistaram sua casa e encontraram evidencias surpreendentes de que ele era um assassino contratado. Apenas outro como eu. Mas isso não foi tudo. Cinco pistoleiros / executores criminosos foram assassinados somente neste mês, todos no mesmo estado em que eu estava. As autoridades suspeitavam que eles deviam estar ligados. Lembro-me de ter  ouvido falar deles em alguns círculos da teia negra algumas semanas atrás, mas não pensei em nada a respeito. Só pensei que eles deviam ser incompetentes.

Também assisti uma coletiva de imprensa da policia em que um jornalista perguntou se poderia ser algum vigilante desonesto à solta.

- Não – Respondeu o policial – A maneira como esses homens estão sendo mortos indica que temos algo mais em nossas mãos. Algo mais brutal. Como um trabalho de um psicopata absoluto e desequilibrado.

Essa coisa inda está viva. E se vier atrás de mim de novo... Acho que não vou ter tanta sorte. Talvez eu apenas contrate outra pessoa para tentar mata-lo.

Vale a pena experimentar.

Vendi 59 dias, 14 horas e 31 minutos da minha vida para um estranho

 




Viver na cidade de Tacoma Creek não tem sido uma brisa nos últimos meses e provavelmente nunca será. Trabalhar em um restaurante Fast Food nos arredores da cidade mal é o suficiente pra pagar meu aluguel e comprar o necessário. Eu nunca quis acabar assim, mas aos 31 anos perdi quase todo o aspecto de esperança. Dito isso, pensei que já tinha visto de tudo. Achei que minha vida continuaria normalmente. Isso foi até eu conhecer o velho. Ou devo me referir a ele como isso. O estranho que tirou 59 dias 14 horas e 31 minutos da minha vida.

 Meu primeiro encontro com ele foi há pouco mais de três meses. Ainda me lembro disso claro como o dia. Eu tinha acabado de deixar meu local de trabalho e me dirigi para meu apartamento. Eu normalmente gostava dessas caminhadas, já que era o único momento que eu tinha para relaxar durante o dia. Nessa hora, eu refletiria sobre meu dia e desfrutaria da paz. 

Mas não naquele dia.

Ao longe, avistei um homem velho e abatido caminhando em minha direção. Ainda hipnotizado em pensamentos, eu realmente não prestei atenção nele. Só quando ele se aproximou de mim percebi o quão estranho era esse homem.

Agora, eu tenho 1,80m e não me assusto facilmente, mas algo me assustou sobre este homem.

O homem parecia estranho de uma forma que não consegui descrever. Foi como se minha mente percebesse algo mais que escondia os horrores por trás dessa ilusão. O homem era quase trinta centímetros mais baixo que eu e estava coberto de sujeira. Ele sorriu para mim com dentes amarelos.

- Olá, eu não tenho a intensão de machucar você. Eu tenho uma oferta única para você! – Ele disse em uma voz que não combinava com sua aparência. Assim que tentei me mover, descobri que eu estava congelado no lugar. Eu não conseguia mover meu corpo, não importa o quanto tentasse.

- Cada hora de sua vida que você vender para mim, eu lhe dou mil dólares. É uma maneira fácil de ganhar dinheiro – disse ele enquanto me mostrava um panfleto.

Eu li o anuncio:

1 hora da sua vida
Vale 1.000 dólares!
Contate-me em XXX-XXX-1001 para mais informações
Dinheiro fácil

Eu dei a ele um olhar feroz. Fiquei confuso com a revelação, mas mais ainda, irritado.

- Que merda é essa? Você está louco? – Eu respondi. Suas sobrancelhas franziram com a resposta. Ele me lançou um olhar que dizia: Eu já lidei com isso um milhão de vezes antes.

- Certo, eu sei que pode parecer loucura para você, Eric, mas se você quiser uma prova, vou te mostrar o dinheiro.

Como diabos ele sabia meu nome.

- Quem é você? Está me perseguindo? Eu vou chutar sua bunda por fazer isso.

Ele foi embora, para a floresta silenciosa. Um momento depois, ele voltou com uma mala. Ele me deu um sorriso vazio quando voltou para a calçada.

Sem palavras ele esfregou a sujeira de suas roupas.
Ele abriu o zíper da mala para revelar pilhas de dinheiro. Meus olhos se arregalaram quando percebi quanto dinheiro havia na mala. Se fosse dinheiro de verdade, devia haver pelo menos 30.000 dólares – mais do que eu ganharia em um ano.

- Tudo isso pode ser seu se me vender um dia da sua vida.

Meu queixo caiu no chão.

- Isso é dinheiro de verdade? Isso é algum tipo de piada?

- Isso é dinheiro de verdade. Se você preferir transferência bancaria, tudo bem.

- Isso tem que ser uma piada, você só pode estar brincando comigo – eu disse em uma voz atordoada.

- Ligue para o número no panfleto se quiser mais informações – Ele sorriu, antes de fechar a mala de volta e ir embora.

Eu não me recuperei até que ele estava bem fora de vista. Minha mente disparou enquanto eu olhava pasmo para a escuridão.

No dia seguinte, fui à Delegacia.
Melhor prevenir do que remediar, pensei.

Felizmente, eu ainda tinha o panfleto que o homem me deu.

Eu relatei os eventos daquela noite. Eu disse a eles que tinha suspeitas de que ele fazia parte de algum tipo de trafico, ou possivelmente ladrão de dinheiro. Eles discaram o número, mas não existia.

Em resposta, me disseram que provavelmente era alguém me pregando uma peça e que manteriam atualizado se algo acontecesse; Claro, não deu em nada. Mas este não seria nosso ultimo encontro.

Alguns dias depois do encontro, as coisas começaram a piorar. Começou com coisas simples. Eu tropeçaria com dedão do pé ou chegaria atrasado ao trabalho. Mas as coisas pioraram.

Não conseguia para de pensar no meu encontro. Tentei me livrar da memória, mas isso me faria pensar mais a respeito. Quando estava começando a questionar meu bem-estar, encontrei o homem novamente. Foi assim que descobri que ele não era apenas um homem, mas algo sobrenatural .

Eu tinha acabado de deixar meu local de trabalho por volta das 21 horas e estava curtindo a paz. Isso foi até eu olhar para frente. Eu fiz uma careta quando percebi quem era – o mesmo velho. Ele estava com a mesma roupa e igual em tudo. Até o mesmo sorriso estampado em seu rosto.

- Ei, preciso falar com você – gritei.

Seu sorriso cresceu mais amplo e comecei a ficar nervoso. Agora você pode me chamar marica por ter medo de um homem que não poderia me machucar, mesmo que tentasse, mas você não sentiria, a menos que estivesse lá.

Eu poderia facilmente derrubar esse homem, tentei me tranquilizar. Mas eu sabia, no fundo, estava profundamente assustado com aquele homem.

- Você tentou me denunciar a policia, não foi? – Disse ele em tom de zombaria. – Suas ações têm consequências.

- O que? Como você sabe? Vou chamar a policia agora! – Eu disse em um tom confiante. Então, descobri que não conseguia me mover, como da última vez.

Ele me mostrou outro panfleto.

- Certo, eu sei que para você pareço como um homem velho, Eric. Mas eu não sou. Veja, eu sou um ser invisível, um fantasma em termos simples. Mas eu não sou o fantasma que você pensa. Em vez disso, eu “possuo” corpos humanos. Em palavras básicas, você me vende uma certa quantidade de tempo e durante esse tempo, eu vivo dentro da sua alma e controlo todos os seus movimentos. Em troca, dou ao anfitrião bens materiais, sorte e dinheiro. Mas claro, tenho minhas limitações.

Neste ponto, eu estava além do estranho, este homem estava além da loucura.

- Em primeiro lugar, só posso entrar na alma com o seu consentimento. Mas posso trazer infortúnios para aqueles que não me dão o consentimento. Isso me leva ao segundo ponto. Não posso matar ninguém em seus infortúnios. Mas eu posso causar ferimentos e sofrimentos.

Eu estava mais do que irritado. Eu não consegui acreditar no que estava ouvindo.

- Você está louco. – Eu gritei.

Ele me ignorou.

- Você tem 24 horas para me conceder. Senão, algo muito ruim vai acontecer com você por 3 dias. A entidade lhe acompanhará para onde você for. – Ele não especificou o que a “entidade” significava.

O homem simplesmente sorriu e foi embora.

Lutei para encontrar palavras. 

- Qual o problema desse homem?

Olhei para o panfleto que ele me entregou:

“A entidade chegará em 24 horas
prepare-se para isso
Cada hora da sua vida que você me vender
Você ganha 1.000 dólares!”
“Contate-me para mais informações XXXX-XXX-1001 “.

Eu devo ter parecido um lunático, porque um membro da vigilância do bairro veio até mim.

- Hey, você está bem? – Disse uma mulher, me tirando de meus pensamentos.

- Ohh, sim, eu estava indo em direção ao apartamento – Eu disse enquanto girava minha cabeça.

Ela me lançou um olhar não convencida, mas me deixou ir. Ela me observou atentamente enquanto eu caminhava pela rua...



No dia seguinte, mais uma vez me dirigi para a Delegacia. Quando olhei para o panfleto que o homem me entregou, percebi que algo estava errado. Dizia.

“A entidade chegará às 11 horas”

Eu poderia jurar que eram 24horas. De qualquer forma, eu não iria pensar muito nisso. Entreguei o panfleto aos policiais e expliquei os acontecimentos da noite. Os oficiais me deram uma resposta vaga, deixando-me com mais perguntas do que respostas.

O resto do dia ocorreu normalmente. Não tive nenhum encontro com o homem e continuei com o meu dia – isso até chegar ao meu apartamento.

La uma nota em choque, meu coração disparou.

“A entidade chegou”.

A nota estava colado com fita adesiva na porta do meu apartamento.

Aquele homem sabia onde eu morava. Ele me seguiu? De repente, senti uma presença entrar nas partes mais profundas da minha alma. Eu senti uma presença me seguindo. De meus periféricos, vi uma sombra. A sombra de algo sobrenatural. Eu me viro para não ver nada. Eu devo estar ficando louco.

Passei o resto da noite, escondido sob os lençóis do meu telefone. Eu não conseguia dormir por causa daquela presença. Eu sabia que isso era uma piada de mau gosto, mas estava genuinamente assustado neste momento. A presença tinha intenções maliciosas e eu não queria baixar a guarda.

O relógio do meu celular indicava que faltavam 5 minutos pras 3 da madrugada. Meus olhos estavam ficando pesados e eu estava prestes a adormecer. Toda a cafeína do mundo não curou meu cansaço. Foi então que aconteceu.

Como algo que aconteceria em um filme de terror, ouvi passos vindos da minha cozinha. Eu não moro com ninguém, então fiquei naturalmente apavorado.

Tentei me assegurar de que os passos vinham do corredor, mas não conseguia acreditar nisso. Veja, minha cozinha tem pisos soltos que range um ruído agudo toda vez que alguém pisa neles. É por isso que quase mijei nas calças quando ouvi m inconfundível ruído. Minha mente correu com possibilidades.

Alguém invadiu meu apartamento.
Não isso era impossível.
Não ouvi a porta sendo aberta nem nada.
Provavelmente está vindo do corredor.

Meu coração afundou no meu estômago quando ouvi coisas sendo quebradas no chão.
Agora eu tinha certeza de que vinha do meu apartamento.

Mais coisas se espatifaram no chão quando fechei os olhos. Fiquei mais do que horrorizado.

Então minha porta se abriu...
Não ousei abrir meus olhos.

Devo ter finalmente caído no sono, porque acordei com o apartamento bagunçado.

Lâmpadas foram quebradas, pratos quebrados e minha mobília foi derrubada.
Meus vizinhos apresentaram queixa do ruído. De acordo com eles, por volta das 2h30, eles foram acordados por um tumulto vindo do meu quarto. Placas estilhaçando e coisas sendo jogadas ao redor. Então, cerca de 15 minutos, eles ouviram um arranhão alto. A policia veio investigar pouco depois.

Eu disse a eles que alguém havia invadido. Eu disse que alguém havia destruído todos meus pertences no apartamento. Mas as câmeras de segurança no corredor disseram o contrário. Ninguém tinha entrado no meu apartamento. Junto com isso, não havia sinais de entrada forçada. Eu sabia que o oficial pensava que eu tinha enlouquecido e feito tudo isso. Mas eu sabia que era alguma invocação sobrenatural que aquele homem fez isso.

Mais tarde naquele dia, recebi um telefonema do meu chefe.

Porque isto está acontecendo comigo?
Eu pensava enquanto pressionava a tela para atender a ligação.

- Eric, nós contratamos um novo funcionário. Não precisaremos que você venha amanhã – na verdade, não precisaremos de seus serviços nunca mais – Ele disse enquanto ria. Eu sabia que ele era um idiota, mas isso me enfureceu.

Ele desligou antes que eu pudesse responder o que pensava. A partir daí, tive um colapso mental total.

Por que eu?

Porque diabos tinha que ser eu?

Por uma década eu aquentei cada besteira. E tudo resultou nessa bagunça.

 

 

Uma coisa que aprendi nos últimos dois meses é que se algo parece bom demais para ser verdade, é bom demais para ser verdade. Descobri isso da maneira mais difícil quando o homem apareceu pela terceira vez.

Por volta da meia-noite, alguém bateu na minha porta. Eu preguiçosamente caminhei para outro lado do apartamento para abrir a porta.

- Não tenho a intenção de te machucar, apenas abra a porta.

Reconheci imediatamente a voz – era o velho.

Peguei meu telefone e disquei a policia.

Mas então percebi que meu telefone não tinha sinal. Realmente tinha que falhar no pior momento possível.

- Isso não vai funcionar. – Disse o homem.

Como ele sabia que eu estava ligando para a policia.

Neste ponto, eu estava muito farto que simplesmente não me importava com nada.

Desisti e decidi que seria melhor abrir a porta. Eu olhei lentamente pelo olho mágico. Quando me deparei com o velho ele estava olhando diretamente para mim.

Abri a porta e deixei. Mas desta vez ele estava diferente. Sua pele de alguma forma me lembrava o plástico, como um boneco humano.

- Meu tempo está chegando no fim e preciso de outro corpo – Disse ele em uma voz rouca.

- O que você quer de mim? – Eu gritei.

Ele silenciosamente sentou no sofá.

- Eu perguntei o que você quer? – mudei-me para o sofá e me sentei ao lado dele.

- Você viu o que a entidade é capaz de fazer e se passou apena um dia. Os próximos dois dias serão muito piores. Mas você pode terminar o julgamento mais cedo. Tudo que você precisa fazer é me dar vida. A diferença é que vou escolher quanto tempo vou viver dentro de você. Nesse tempo, você poderia escapar para sua vida e eu lidarei com a bagunça que você criou por toda sua vida; Por exemplo, se eu viver em sua alma por três meses, você receberá 500mil dólares em dinheiro ou na sua conta Nerdbnk. Eu seria capaz de tornar sua vida melhor. 

Uma lagrima escorreu pela minha bochecha.

Isso era dolorosamente verdade. Mesmo com anos de trabalho árduo, não fui capaz de chegar a lugar nenhum. Agora eu percebi, nada importava. Eu não me importava com nada mais na minha vida. Qual era o objetivo de tudo isso?

- Eric, Eric, você quer fazer o acordo?

Em um ato egoísta do qual me arrependo, concordei.

- Ótimo – Disse ele enquanto sorria. Mas aí já era tarde demais. Eu havia tomado a decisão que arruinou minha vida.

No segundo em que apertei sua mão, não estava mais no controle do meu corpo. Eu ainda estava testemunhado tudo que meus olhos viam, mas era apenas um espectador de tudo que acontecia. Eu não conseguia controlar o que fazia. Eu era um prisioneiro do meu próprio corpo.

Em vez do homem cair inerte e “mudar” para o meu corpo, o homem sorriu e eu me senti sorrir de volta e acenar a cabeça.

Foi quando descobri.

Esse pedaço de merda estava me enganando.

Essa coisa não era um único ser. Este ser poderia se multiplicar em número – reproduzir-se, devo dizer. Exceto, que precisaria da alma das pessoas. Isso não fazia sentido.

Senti-me levantar do sofá e sair do apartamento. O homem o seguiu de perto.

Já se passaram dois meses desde então. Mas eu sofri uma lavagem cerebral de uma forma. Veja, eu não tenho mais as ambições e objetivos que teria na minha vida normal. Eu me tornei um assecla de um único ser de outro mundo, que está ganhando poder em um ritmo rápido.

Nesse tempo, fui capaz de dar a mais pessoas a oportunidade única que me foi dada. Eu me tornei exatamente como o homem. Mostra o quanto alguém pode mudar em uma no. Um homem que antes eu pensava que era louco, agora é meu modelo.

Tudo o que resta é uma mala com centenas de milhares de dólares e o telefone com o qual estou digitando. Mas estou aqui principalmente para espalhar a mensagem. Vender um pouco da sua vida é uma ótima maneira de se livrar do tempo que você gastaria entediado ou na correria do dia a dia.

Para mais informações contate-me em XXX-XXX-1002.

E não se esqueça de que estamos sempre aqui para facilitar a vida de pessoas como você.




Fonte: https://www.reddit.com/user/Suck359/
Tradução: Sigma Terror

Among us é baseado em eventos reais

 Você provavelmente já viu os Youtubers jogando ou algum meme no feed das mídias sociais. Resumindo, o jogo é Survivor Multiplayer online on...